JOGO DA VERDADE - ANA NUNES

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O que falar sobre Ana Nunes? São tantas coisas lindas. É mais uma que tive prazer de conhecer no Encontro de Escritores em São Paulo, no ano passado, e continuo encontrando nesses nossos eventos lindos. Quando sumi aqui do blog, na primeira semana de outubro, adivinhem onde eu fui parar? Na casa dessa maravilha.

Fico cada dia mais impressionada com o tanto de amor que cabe nesse ser pequeno no tamanho, mas gigante na alma. O tanto de bondade e fé que ela carrega poderia alimentar uma multidão inteira e, confesso, sinto um orgulho danado em poder chamá-la de amiga, além de ser uma das escritoras que mais admiro. Pela veracidade das palavras que escreve, sem se preocupar com fama, dinheiro e seguidores. Talvez, só talvez, a verdadeira essência de um escritor seja essa. E ela carrega das mais bonitas. Vem conhecer um tantinho?


♥ QUANDO COMEÇOU A ESCREVER E POR QUÊ?

Eu comecei a escrever após o término de um relacionamento, então escrevia a mesma coisa com palavas diferentes, uma tragédia - mesmo! Sério! Tragédia! E eu achava que era bonito, que tocava alguém, mas não tinha nada de profundo, era uma escrita tão rasa e artificial quanto a minha tentativa de arrancar alguém do peito. Daí alguns anos batendo na mesma tecla, decidi cronicar e comecei a reunir os textos, procurei uma editora e publiquei (na raça, com a cara e a coragem) o primeiro livro. Sou completamente apaixonada por ele, nele cabe toda a minha essência e muitos desejos de encontro com a paz interior.


♥ QUAL TIPO DE TEXTO PREFERE ESCREVER E QUAL GOSTA DE LER?

​ Eu gosto muito de crônicas e agora estou mais voltada pra uma escrita curta, um formato de oração, bem do meu jeitinho de orar. E amo ler ​tudo, tem que tocar, tem que ter verdade.

♥ QUAIS OS AUTORES QUE MAIS LÊ E ADMIRA?

Eu leio muito gente, esse mundo virtual traz um leque bem bacana. Tenho lido vários autores espíritas.​


♥ QUAL A SUA MAIOR FONTES DE INSPIRAÇÃO? HISTÓRIAS VIVIDAS OU APENAS FANTASIAS? MÚSICAS? 


​ ​Tudo isso misturado. Não dá pra isolar a inspiração, nada acontece isolado. Uma situação vivida te faz lembrar da história de outro alguém, de um pedaço de um filme, de uma música. O Universo faz um movimento maravilhoso e tudo vira inspiração.


♥ SEU PRIMEIRO LIVRO É UMA COLETÂNEA DE RECEITAS EM FORMA DE CRÔNICAS. E O SEGUNDO? O QUE PODEMOS ESPERAR?

Ana: O segundo é um livro de preces, orações, tudo curtinho. Traz a ideia de um companheiro, um pocket livro pra todos os momentos.



♥ Uma música: são tantas que não consigo pensar em apenas uma (rs).

 Onde nasceu: Simões Filho, Bahia.​

 Uma cor:​ Azul, cor de tanta coisa bonita desse mundão.​

 Um segredo: ​ ​Promete não contar pra ninguém? (Risos.)

 Um arrependimento: ​ ​O não dito, o não feito.

 Uma mania: ​ ​​Passar pano na casa.​

 Uma decepção: ​Não ter continuado o teatro.​

 Uma música: ​Não existe! Tenho várias músicas especiais.​

 Um defeito: ​Sentir medo de tudo.

 Uma qualidade: ​ ​​Amiga.​

 Um sonho: ​Criar meus filhos com dignidade nesse país perdido.

 Fidelidade é: ​Honestidade.​

 Amizade é: ​Respeito. Reciprocidade.

 Traição é: ​Falta de zelo, respeito, caráter e coragem.​

 Filhos:​ A explicação do amor.​

 Um(a) crush famoso(a):​ ​Caio Castro :)

 Primeiro beijo:​ Confuso, atrapalhado, tímido.

 Praia ou piscina:​ Cachoeira.​

 Campo ou cidade:​ Campo.​

 Uma saudade: ​Da minha infância com meus avós. Da inocência infantil.​

 Um lugar pra descansar a mente: ​Uma roça, uma cachoeira, uma noite estrelada.​


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♥ ♥ 

Foto: Ana Nunes com leitoras e outros escritores. / Sarau Papo & Poesia - Parque Lagoa do Nado - Belo Horizonte, MG






RELATOS DE UMA MENTE EXAUSTA.


 ♥ Ouça enquanto lê: Toni Ferreira - Repousar ♥ 

A vida tem a mania de nos dar a impressão de que quanto mais preguiça temos, mais rápido ela corre do lado de fora. Onde foram parar os meus "só mais cinco minutinhos"? Não, meu caro, ela não vai te dar nem dois, nem cinco, nem minuto algum. Cada segundo que se passa fazendo nada, tudo se perde.

Há quatro dias que tento escrever um texto e o cursor piscando na tela me lembra da minha falta de criatividade, segundo atrás de segundo. Há uma pilha de tarefas para as quais não tenho tido o menor interesse, ainda que algumas delas sejam minhas atividades prediletas. Tem faltado bastante interesse pra tudo ultimamente. Há uma meia largada na ponta do meu sofá, ao lado da capa do meu notebook, há, no mínimo, três dias. Passo por ela quando acordo e saio do quarto, mas nada faço. Gastaria não mais que dez segundos para guardá-la na gaveta do guarda roupas, mas não o fiz. E não sei explicar bem o porquê. Há muito para fazer e pouca vontade.

Abro, diariamente, minhas redes sociais para me distrair de sei lá o quê — provavelmente da realidade além do mundo virtual. Vejo os sorrisos dispostos às oito da manhã, os cafés na avenida principal, os óculos de sol, as cervejas nos bares. Vejo os rostos felizes, os textões moralistas e me pergunto: onde foi parar o meu ânimo? Cadê a minha empolgação? A vida parece passar, como num filme desinteressante, e eu continuo aqui, assistindo, sem saber bem o motivo, mas não participo e, vez ou outra, desconfio que também vivem como personagens algumas pessoas que ilustram as tais fotos que vejo e, sinceramente, ainda não descobri se eles estão piores ou melhores que eu. 

Poderia culpar os hormônios, mas sei que eles pouco tem a ver com isso. Ou não. Poderia culpar o frio, mas meu aquecedor, ligado quase o dia todo, não me deixa mentir dessa forma. Poderia, ainda, culpar os astros — a lua deve estar bem longe de capricórnio, o sol deve ter sumido pra alguma parte do Zodíaco que justifica minha falta de vontade para tudo e meu mau humor diário —, mas quem disse que entendo dessas coisas? Acho que nem o tal do mapa astral conseguiria me encontrar, estando eu mais perdida que geminiano em dia de votação. 

Poderia, ainda, culpar qualquer coisa que não fosse a minha infinita e incontrolável preguiça de viver. E não, não falo do sentido poético ou figurado. É do literal que tenho reclamado dia após dia. E não pára por aí. Tudo que começo parece ter tanto nexo quanto um cego escolhendo gravatas. "Qual a merda do sentido?" — grito, silenciosamente. Pra quê perder tempo escrevendo se tudo sai uma bosta? Se é só mais um texto que vai se perder entre curtidas, fotos de gato e correntes do Facebook. Com qual finalidade vou gastar minhas energias organizando algo, se mal consigo me organizar do lado de dentro? Como revisar uma crônica se mal consigo corrigir meus próprios erros?

E mais uma vez os dias vão passando, ou eu que estou passando por eles, tentando (re)encontrar o propósito de tudo, ou apenas o meu. Começo mais um conto que vai parar na pasta de "incompletos", desejando que a vida tenha uma pasta dessas por aí, pra eu descansar até o dia em que resolver continuar, até fazer sentido. Um dia, quem sabe, eu vá parar na pasta principal novamente.

♥ ♥ ♥ 



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AQUARELA DE SONHOS



A cama bagunçada, o lençol espalhado, o travesseiro torto e o edredom mal dobrado. Na cômoda, somente um pacote vazio de bolachas e uma lata da cerveja misturando-se com a poeira. A janela, com a cortina pouco aberta, reflete o meu estado de espírito. Me fechei para o mundo, me esqueci de tudo, até mesmo de mim.

Os planos, escritos em uma folha de papel amassada, ficaram na gaveta. Vez ou outra encaro a folha, em silêncio, pra ver se despertam a minha força, alguma coragem ou até mesmo uma sutil iniciativa, mas é em vão. Aí eu enxugo as lágrimas, respiro fundo, assusto-me com as olheiras fundas que vejo no espelho e guardo os papéis de novo, junto com aquele velho batom vermelho que eu tanto gostava e agora já não vejo mais nenhuma graça.

Então os dias acabam e eu fico assistindo as horas passarem, sem sair do lugar, postergando tudo o que preciso fazer, até mesmo as coisas mais urgentes, aquelas que, há tanto tempo, gritam pela minha atenção. O guarda-roupas, tão bagunçado quanto minhas frustrações, me lembra, constantemente, que preciso organizá-lo antes que ele desabe. Como eu desabo, diariamente.

É fraqueza, é desespero abafado, é falta de fé, é desânimo, é cansaço... É tudo isso junto e mais um pouco.

Pode até parecer que estou perdida, que não sei o que quero, mas a verdade é que eu estou assim justamente por saber o que preciso. E, infelizmente, o que preciso talvez seja uma loucura, um sonho infantil que está — aparentemente, muito — longe de mim. Posso enxergar nitidamente, mas a cada passo que tento dar em direção à ele me leva para a beira de um precipício e me lembra que construir castelo em nuvens é coisa de criança, quando tudo ao meu redor me cobra maturidade.

Quando a realidade me chama, tudo o que eu quero é voltar a dormir, porque ela me faz enxergar que jamais terei a liberdade de ser quem eu sou de forma plena e em harmonia com as necessidades desta vida. Só que a vida adulta não nos permite adormecer até os sonhos se tornarem possíveis. Ela bate à porta. E grita. E soca a madeira. E quebra as janelas, nunca mais duras que ela.

As dívidas não esperam até que as dúvidas se dissolvam. O pó não evapora enquanto as agonias se concretizam. A estrada não se forma enquanto a fé parece sumir... Cada dia um pouco mais...

O fato é que ainda não descobri um meio-termo entre a utopia das minhas projeções e as obrigações da maturidade. Não aprendi a viver só hoje, quando o amanhã imaginado me colore os olhos como arco-íris em dia nublado. E enquanto não me permitem ser qualquer coisa além, sigo pintando palavras em folhas amassadas e lotando minha gaveta com planos de "um dia talvez...", até que o próximo balde d'água caia sobre mim.

Talvez o preço de sonhar seja esse.

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EU VENCI O DESAFIO, E VOCÊ?



Eu poderia começar esse texto contando tudo que você me fez passar nos anos em que andamos lado a lado, mas não vou. Eu poderia contar das diversas vezes em que você me fez crer que eu não poderia, em hipótese alguma, ser feliz, completa ou bem sucedida sem que você me ajudasse, mas eu não vou. Eu poderia começar falando de como você fodeu meu psicológico, disfarçando seu controle com uma máscara de proteção, mas eu não vou.

Só que tem uma coisinha que, para alguns, pode até parecer insignificante, mas que para mim foi o fim — ou melhor, foi o começo de tudo.

Tudo teve início num começo de noite, no meio de uma semana qualquer, num bar qualquer do nosso bairro. Era fim de tarde quando você apareceu e disse que precisávamos conversar, saiu batendo a porta e caminhando em direção à nossa casa. O bar inteiro ouviu e senti meu rosto corar por um segundo, mas não era de vergonha. Era raiva. Era adrenalina pura. O sangue corria em velocidade máxima e meus passos em sua direção eram desenfreados. Larguei minha cerveja recém aberta no balcão, deixei celular e carteira em cima da mesa e cheguei em casa antes mesmo de você fechar o portão. Estava decidido, naquele dia daríamos um ponto final.

Você começou a conversa falando sobre respeito, ética e responsabilidade. Sua dialética era perfeita e, se não fossem os anos de experiência e os olhos bem abertos, eu poderia ser facilmente convencida de que qualquer coisa errada era culpa exclusivamente minha. Você sempre foi o tipo de pessoa que olha para uma parede branca e consegue convencer a todos de que ela é roxa, independente do que se mostra diante dos olhos de uma multidão. Eu sempre fui o tipo de pessoa que dizia amém para tudo que você afirmava. Não mais.

Contrariando todas as suas expectativas — estampadas no seu olhar de indignação —, não cedi. Os pés estavam firmes no chão e as mãos não tremiam. Pela primeira vez não gaguejei ao te dirigir minhas palavras. Eu estava decidida e não havia argumento algum capaz de me fazer mudar de ideia, exceto um pedido de desculpas sincero e o reconhecimento de que você — ao contrário do que gostava de bradar aos quatro cantos — precisava de ajuda muito mais do que eu. Mas o pedido não veio. No lugar, ouvi desculpas esfarrapadas e incontáveis mentiras. Era sua arte, sua obra-prima. 

"Algumas mentiras são necessárias" — era seu discurso predileto. Mais tarde entendi que quem ama também mente, mas o exagero faz mal em qualquer âmbito. Só você não percebia, mas com o passar dos anos eu já não te reconhecia mais, já não sabia quem era aquela pessoa que dividia o mesmo teto que eu e era tão estranha quanto alguém que esbarra em mim no meio da rua. Esbarrei nas tuas mentiras tantas vezes, mas naquela noite eu parei e entendi que o erro não era meu. Elas estavam no meu caminho. No nosso. E você se recusava a retirá-las.

Ainda assim, mesmo depois de tudo que descrevi, eu tinha fé. Eu acreditava que em algum lugar da sua memória ou da sua consciência você se arrependeria das atrocidades que cometera ou dos absurdos que deixara escapar pelos lábios, mas minha fé se desfez no instante seguinte, quando você tomou a última atitude aceitável: você me desafiou. E essa foi a pior coisa que você poderia ter feito.

"Quero ver o que você vai fazer sem mim. Como vai se virar? Vai começar do zero? Eu duvido"

(...)

Alguns anos se passaram e hoje eu posso dizer, com toda certeza do mundo: eu venci o desafio. Posso não ser a mulher mais bem paga da cidade, posso não morar em um bairro nobre nem comer filet mignon todos os dias. O meu azeite não é o mais caro e minhas roupas não são de marcas conhecidas. Eu ainda ando de ônibus e meu celular não está na lista dos últimos lançamentos. Eu não fiquei famosa nem tenho a conta bancária recheada de zeros, mas eu sou mais rica do que já fui em toda a minha vida.

O que você, claramente, não entendeu é que não preciso de nada disso. O que você nunca enxergou é que, ao contrário de você, pouco me importa se tenho todo o luxo listado acima, eu tenho riquezas que não se compram, tenho bens que não se sorteiam em loteria, tenho motivações que não se encontram em vitrine alguma. Não há dinheiro no mundo capaz de te dar tudo que eu, apesar de você — como cantava Chico —, conquistei e descobri.

Honestidade. Respeito. Lealdade. Humildade. Cumplicidade. Fé. Empatia. Esperança... AMOR.

(...)

Terminamos a conversa com juras de até um dia, quem sabe. Pela primeira vez, nenhuma lágrima rolou. Nenhum arrependimento. Nenhuma palavra havia sido dita por acaso. Caminhei de volta até o bar da nossa rua e, como um sinal, quando passei pela porta um clipe já conhecido começou a rolar na televisão. E foi Katy Perry que me disse que tudo iria ficar bem, apesar de você. E você ainda vai me ouvir rugir...


"Eu costumava morder minha língua e prender a respiração
Tinha medo de virar o barco e fazer bagunça
Então me sentava quieta, concordava educadamente
Acho que me esqueci que tinha uma escolha
Deixei você me empurrar além do ponto
Suportei por nada, então eu caí por tudo"




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A VIDA INTEIRA NUM SINAL VERMELHO



Pra quê a pressa?

Tira esse pé daí, desacelera, diminui a velocidade. Pára pra ver que a vida é mais do que chegar no horário e bater seu ponto, fazer seu trabalho e depois acelerar novamente pra chegar em casa. A vida é mais do que as preocupações que te tomam a cabeça, vai por mim. 

Eu sei, a rotina te cobra, a vida te cobra, as contas te cobram e relaxar fica difícil com tanto pra estressar, mas tenta moço. Por você, só tenta.

Bate na cara, toma um café, acorda pro dia, sorri um pouco mais, olha o sol lá fora, olha as nuvens, olha pra chuva molhando o vidro do seu carro e pra folha que agora pouco estava presa no seu limpador de pára-brisa.

Tá vendo ali? Repara na moça que se aquece com luvas coloridas, na mãe que tenta proteger o filho debaixo do guarda-chuvas, na senhorinha que, na chuva ou no sol, comparece à ginástica da terceira idade no estacionamento do supermercado.

Ela viu as luvas coloridas e sorriu. Ela não usa guarda-chuva. Ela não gosta de café, mas sorriu ao tomar o primeiro gole do seu chá gelado. Ela não tem mais pressa.

Entende, moço?

A vida acontece muito além do sinal vermelho que você acaba de ultrapassar.

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PLAYLIST: AS MAIS OUVIDAS DA SEMANA #5

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Depois de duas semanas de ausência (me perdoem, mas foi por bons motivos), voltei. Passei uma semana em Belo Horizonte e voltei cheia de coisas bonitas pra dividir com vocês. Uma delas é uma mala cheia de músicas lindas pra relembrar e outras pra conhecer. Aproveito pra matar a saudade dos amigos de lá e das músicas que embalaram uma das semanas mais maravilhosas que já vivi.

E se você perdeu a última playlist, é só clicar aqui e dar uma olhadinha nas músicas indicadas.

 CAMILA BRASIL - DIA ÚTIL
Olha, eu já tinha escutado Camila antes, mas nunca tinha parado pra realmente prestar atenção na letra dessa música. Aí a Marianna Bezerra, amiga querida e dona de uma voz inigualável, começou a tocar essa música e a cantarolar lindamente. Quando perguntei de quem era, ela disse "de Camila", com aquele sotaque meio-matogrossense-meio-mineiro que encanta qualquer um. Apaixonei pela letra e agora compartilho com vocês.



 GONZAGUINHA - LINDO LAGO DO AMOR
Já era apaixonada por essa música, mas sabe quando a gente guarda num cantinho da memória emotiva e acaba esquecendo? Pois é, isso aconteceu, mas graças à Ana Nunes e seu marido eu tive a alegria de redescobrir o lindo lago cheio de amor. Qualquer semelhança com a casa deles que me abrigou com braços escancarados é pura coincidência.




 DJAVAN - BOA NOITE
Assim como o lago de Gonzaguinha, "Boa noite" foi parar numa caixinha musical esquecida, mas foi resgatada nos poucos dias que passei na companhia de vozes fantásticas e agora acordo ouvindo essas palavras, lembrando de tudo que vivemos. Relembrar é viver e eu quero viver Beagá todos os dias.




 LINIKER - ZERO
Conheci essa belezura no youtube, entre uma sugestão e outra, e me apaixonei de cara. Está sempre nas playlists por aqui e não foi surpresa alguma quando cheguei em Beagá e soube que mais pessoas são apaixonadas por ele. Sendo assim, essa foi mais uma que não saiu das nossas bocas nos 7 dias em que nos reunimos por lá. Válido relembrar.



 CÁSSIA ELLER E NANDO REIS - RELICÁRIO
Pra finalizar essa playlist cheia de amor, cito uma das músicas que mais marcou esta viagem, por causa de uma simples frase "eu trocaria a eternidade por essa noite". Entre copos de cerveja e abraços amigos, cantarolamos esta música num dos últimos dias da viagem e o coro de vozes amadas nunca será esquecido. Eu trocaria tudo para reviver esses dias mágicos e guardo meus mineirins num relicário bem juntin do peito.




Bom pessoal, por hoje é só!

Gostou da ideia? Então comenta aqui embaixo o que achou e, se quiser, manda a sua lista das 5 mais ouvidas da semana. 


♥ ♥ 


QUEM AMA MENTE.



Dia desses, conversando com uma amiga, ouvi a frase "quem ama não mente". Refleti sobre ela durante um tempo, mas numa fração de segundos pude ter a resposta na ponta da língua. E aqui, tirei mais alguns minutos pra discorrer sobre o assunto. Quem ama mente sim.

Acontece que, por pior que seja admitir isso, todo mundo já contou alguma mentira na vida. Pros pais, pra professora, pro chefe, pro vizinho, pro cachorro ou pro irmão. Até pro espelho há quem tente mentir — ainda que ele jogue a verdade na nossa cara de forma bruta e insensível.

Não me interpretem mal, não defendo o ato de mentir por mentir, pelo contrário. Sou totalmente contra as mentiras, até mesmo as "inofensivas". Pra mim não existe mentira pequena ou grande, o que existe é uma covardia enorme de falar a verdade, por qualquer que seja o motivo.

Ainda assim, não posso dizer que nunca menti ou que nunca perdoei uma mentira — essa seria mais uma delas. Não posso dizer que nunca fingi gostar de um presente que não me agradou, só por ver o olhar de esperança de alguém ao observar o desamarrar de uma fita. O fato é que a gente conta pequenas mentirinhas, por saber que nem sempre a verdade é a melhor saída.

E dentro de um relacionamento as coisas não são muito diferentes. A gente mente quando diz que tá tudo bem, mas estamos putos da vida por que a toalha molhada está — de novo — em cima da cama. Mas o dia começou tão bem, que não dá vontade de azedar por causa de uma toalha. Afinal, "não vai cair a minha mão se eu pegar e estender, né?". A gente mente quando diz que o primeiro feijão ficou ótimo, que só precisava de um pouquinho de sal, mesmo sabendo que ficou um pouco duro. Não é por mal, é por saber que se, de cara, jogarmos a verdade na cara, sem dó, podemos desencorajar e essa não é bem a ideia.

A gente mente quando diz que não se importa com o estilo do vestido, mesmo achando que aquele monte de tecido entrelaçado é esquisito. Não dá pra falar a verdade quando o brilho do sorriso dela, rodopiando descalça pela sala, compete com o sol que invade as janelas. A gente começa mentindo e termina rodopiando também.

É aniversário de namoro e o dia promete, mas justo naquele dia teu chefe te deu a maior canseira e você preferia ficar em casa, com a cabeça enfiada no travesseiro. Cinco minutos depois, a mensagem. "Amor, conseguiiiiii! Reserva feita no nosso restaurante preferido. Falei com a Duda e ela conseguiu um encaixe com um amigo que trabalha na recepção". E você mente quando finge animação pra passar a noite com toda a pompa que o lugar pede, mesmo desejando estar sem roupa, debaixo das cobertas, assistindo Netlifx ou jogando Candy Crush até pegar no sono. Até que você se vê na maior empolgação pra escolher a roupa que vai usar no jantar, só por saber o quanto é importante, também, para o outro. Não é por mal, é por amor.

Quem ama também mente quando não deveria. Quando não conta tudo que a ex falou, quando mandou mensagem durante o expediente, por saber que ninguém iria fiscalizar. Quando o cara gato do trabalho deu uma cantada, justamente no dia em que a estima estava lá embaixo. Não foi nada, mas fez bem. E nem sempre o outro é capaz de entender isso, certo? Quem ama mente quando não tá afim de discutir e falar que parou num bar pra tomar uma cerveja ao invés de fazer hora extra, como contou. Que mal há nisso?

Todo.

Como disse, não defendo essas pequenas mentiras, mas dizer que aquele que ama não as conta, seria pura hipocrisia. Seria utópico demais. Num relacionamento as mentiras podem existir, independente de ser começo ou meio da relação e, por mais que seja bem chato falar a verdade, a gente precisa admitir que passa por cima de muita coisa quando ama. A gente cala muita vontade, opinião. Até que não dá mais e a gente abre o jogo — ou o outro descobre. E aí rolam as discussões que todo casal — ou, pelo menos, a maioria esmagadora — passa. E é a coisa mais normal que existe. Mas é isso, passa.

Relacionamento é construção e, ainda que meus exemplos não tenham sido os melhores, de vez em quando as mentiras e as descobertas fazem parte disso. Elas estão ali, na massa que sustenta todo um edifício. Admitir isso não é crime, não é inaceitável. O que não dá é pra fingir acreditar enquanto o outro finge falar a verdade, o tempo todo. O que não dá é pra viver num palco, atuando o tempo todo.

Quem ama mente, mas quem ama também pode perdoar.

"Mentiras sinceras me interessam"
— Cazuza

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VOCÊ FODEU COM MEU PSICOLÓGICO!


Quando te ouvi sair de fininho pela porta, carregando sua mala cheia de roupas e outras tantas bugigangas que você espalhava pela casa, eu quis levantar da cama lá no quarto. Quis gritar "Escuta aqui, como você pode ir embora sem ao menos se despedir?", mas eu continuei imóvel, estática, fingindo sono profundo e frieza. Tive pouco menos de um minuto — equivalente ao trajeto entre a porta e o portão de casa — pra saber se me arrependeria eternamente pelo adeus não dado ou pelo "até logo" confessado.

Sim, eu tive esperanças de que você estivesse apenas dando um tempo pra você, pra nós. Tive esperanças de receber uma ligação no meio da manhã e ouvir "Eu vou, mas eu volto", mas o celular não tocou. Nenhuma carta chegou. Nenhum e-mail. Nenhuma mensagem instantânea. Nada, nos longos e frios dois meses seguintes, quando vi teu nome surgir na tela do meu celular, mas não consegui atender. Já era tarde e, sinceramente, eu sinto muito por isso.

Sinto muito por você, mas sinto mais ainda por mim.

Por ter acreditado quando você me disse que nunca deixaria nenhum mal me atingir, até eu descobrir que o pior deles viria justamente de quem prometeu me proteger. Não foi fácil te olhar nos olhos, cheia de esperanças, e ver o teu olhar de aprovação para o primeiro grande susto da minha vida. Não foi fácil olhar pro lado e não te ver, sabendo que tua ausência era escolha.

Sinto muito por ter me permitido confiar nas tuas palavras, quando te ouvi dizer "você vai longe". Eu, ingenuamente, acreditei que você se referia ao meu futuro, meus objetivos, meus planos e sonhos de menina. Só não sabia que "longe", pra você, significava "até onde minhas asas podem te segurar". Eu quis voar, mas as correntes que você forjou nos meus tornozelos não me permitiam ir além do alcance dos teus olhos, sem perceber que era refém do seu controle disfarçado de proteção.

A condição era tão clara, tão transparente, que passou despercebida pelos meus olhos inocentes — "Você só poderá voar se eu puder lhe acompanhar". Era amor o que eu sentia e era intenso, presente, gigante demais pra me deixar ver o que se escondia por trás do "eu te ajudo", do "deixa que eu faço", do "eu vou com você", do "essa roupa não lhe cai bem", do "não acho que fulanx seja amigx pra você". Eu acreditei quando você disse que só queria o melhor pra mim, sem saber que isso significava "o melhor pra você sou eu".

Acreditei que todos os lanches da madrugada eram carinho, que o fato de só você saber fazer o achocolatado do jeito que eu gosto era puro esmero e que sua companhia na balada, entre os meus amigos, era motivo pra eu sorrir e me sentir a garota mais sortuda no mundo. "Nossa, você pode levantar as mãos pro céu e agradecer. Se fosse comigo, eu estaria sozinha e quando chegasse em casa ainda escutaria um monte por ter chegado tarde." — era o discurso dos meus amigos, tão constante que, mesmo depois de tantos anos, nunca esqueço.

Tem tanto que eu gostaria de esquecer sobre nós, mas talvez — só talvez — lembrar seja necessário, ainda que doa.

Por falar em dor, lembra de como sofri quando fui diagnosticada com apendicite? Sei que lembra, você ficava ali comigo, me vendo urrar de dor. O pós-operatório, então, nem se fala. Levantar, respirar, sorrir, chorar, tomar banho, fazer xixi, andar, dormir, tudo doía. "Foi a pior dor que já senti na minha vida" — eu costumava dizer. Mas eu estava tão errada, sabia? Eu preferiria repetir aquelas dores cem vezes e faria a mesma cirurgia mais cem. Mas eu não aguentaria mais uma dose das suas mentiras, por menor que ela fosse.

(...)

Hoje eu posso responder a pergunta que me fiz nos exatos sessenta segundos que você levou para ir da porta da frente ao portão da minha casa. Eu tomei a decisão certa. Já não espero mais suas ligações e, confesso, quando vejo teu número nas notificações de mensagens recebidas já não me causa mais arrepios ou sorrisos de canto de boca. Já não há mais esperança. Nem pra você, nem pra nós. 

A verdade é que você fodeu com meu psicológico e não há profissional ou remédio no mundo capaz remediar os danos que você causou. Não é "até logo", é "adeus".

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