JOGO DA VERDADE - Pâmela Marques

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Tive o prazer enorme de conhecer a Pam no Encontro de Escritores que organizamos, em novembro de 2015. De lá pra cá já a reencontrei mais duas vezes, entre saraus, outros encontros e comemorações. 

Posso dizer que é uma das pessoas mais simples que conheci e de coração enorme. Nele cabe todo mundo! Escreve de forma tão verdadeira, tão intensa e mágica, que é impossível não se apaixonar. Além de tudo, como eu, ela gosta de cantarolar pra espantar todos os males e é exemplo de fé pra muitos. 

Não tem como falar muito sobre ela, só conhecendo pra entender o motivo de ser escolhida para a nossa entrevista. Vem ver?


♥ QUANDO COMEÇOU A ESCREVER E POR QUÊ?

Pâmela: Comecei a escrever na adolescência ainda. Escrevia em diários que a minha mãe sempre me presenteava. Depois de um tempo, no ano de 2001, comecei a fazer estágio, a ter mais acesso ao mundo virtual. Uma época em que surgiu o blogger. Fiquei curiosa, resolvi fazer e estou aqui desde então. A princípio meus textos e blogs funcionavam como uma espécie de diário virtual, mas aos poucos fui me aperfeiçoando e percebi que havia nascido para isso.


♥ QUAL TIPO DE TEXTO PREFERE ESCREVER E QUAL GOSTA DE LER?

Pâmela:Gosto de prosa poética. De textos que falam sobre o cotidiano e amor. Tenho preferência por esse estilo tanto para ler quanto para escrever.


QUAIS OS AUTORES QUE MAIS LÊ E ADMIRA?

Pâmela: Caio Fernando Abreu é o escritor que mais leio, Padre Fábio de Melo e alguns autores contemporâneos. Leio também escritores novos, a turma do Amor é Brega e alguns blogs mais famosinhos.


♥ QUAL A SUA MAIOR FONTE DE INSPIRAÇÃO? HISTÓRIAS VIVIDAS OU APENAS FANTASIAS? MÚSICAS? 

Pâmela: Tudo que está ao meu redor vira poesia. Uma conversa com um amigo, alguma situação que eu vivencio ou presencio. Raramente escrevo sobre minhas relações e quando escrevo tendo a mistura a ficção com a não-ficção.


VOCÊ JÁ MENCIONOU ALGUMAS VEZES QUE FOI PARADA NA RUA POR LEITORES. O QUE SENTIU AO SABER QUE É RECONHECIDA, FORA DO MUNDO VIRTUAL, PELO SEU TRABALHO LITERÁRIO?

Pâmela: É uma sensação indescritível, porque você escreve e não tem dimensão de quem é alcançado e do quanto os teus textos ajudam as vidas das pessoas. É incrível saber que seu trabalho é reconhecido e ver que você está no caminho certo.


CURTINHAS:

♥ Um segredo: Aí deixa de ser segredo, rs.

 Um arrependimento: Somente das coisas que deixei de fazer.

♥ Uma mania: Morder os lábios.

 Primeiro beijo: Atrapalhado e tenso. Fiquei meio perdida, mas depois conseguimos nos encontrar.

♥ Uma decepção: Descobrir que você amava alguém que não existia.

 Uma música: Church Of Your Heart da banda sueca Roxette.

 Um defeito: Insegurança.

 Uma qualidade: Lealdade.

♥ Um sonho: Ter uma família.

 Fidelidade é: bom, mas prefiro lealdade.

♥ Amizade é: O cuidado de Deus conosco.

♥ Traição é: Imperdoável.

♥ Uma saudade: De pessoas que se foram cedo demais.

 Um lugar pra descansar a mente: A casa dos meus avós, apesar de não conseguir ir sempre.



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♥ ♥ 

VOCÊ É MAIS PRA MIM DO QUE IMAGINA.


Ouça enquanto lê: Skap - Zeca Baleiro ♥ 

Você não é só um personagem de um dos meus contos, sabia?

Você não é só o motivo de eu escrever aquela crônica inspiradora sobre aproveitar as coisas boas da vida, ou o motivo daquele country que ocupa o primeiro lugar da minha playlist da semana. Você é mais do que cabe em palavras.

Você é a vírgula que preciso colocar, pra respirar e relembrar tudo que grita e me implora que a nossa história esteja registrada por aí. É preciso sempre respirar e dar uma pausa — no texto e na vida — pra lembrar de agradecer por tudo que vejo ao nosso redor, sabe?

Você é o parágrafo não publicado daquele texto que todo mundo amou. Você é o que guardo — por egoísmo mesmo —, por não querer escancarar meu maior tesouro pro mundo. Você é tudo aquilo que eu não escrevo, amor. É o caderno fechado embaixo do colchão, a folha dobrada na carteira, a nota na pasta oculta do celular e as fotos que guardo debaixo de sete chaves. Você é o que eu não mostro.

Você está entre as reticências que uso quando perco as palavras — igualzinho ao que acontece quando você me olha com paixão e leveza. Você é o que eu não escrevo, o que eu não falo, o que eu não mostro. Você é o que fica explícito nas entrelinhas, já que não sei escrever sem ter um tanto de você em mim, então escondo.

A interrogação também carrega teu nome, quando me pergunto o que foi que eu fiz pra merecer tanta coisa boa numa vida só. E que me perdoe quem achar exagero de minha parte, mas só nós sabemos o quanto temos para agradecer. Muito mais do que para reclamar, garanto.

Só nós sabemos de tudo que acontece entre um conto e outro, no meio de uma crônica ou no meio dos poemas que me arrisco a rabiscar. Só nós sabemos como nos escondemos nos acordes do teu violão e no cursor que pisca na tela branca.

Você é a música que eu nunca consegui compor, por saber que não há melodia no mundo capaz de traduzir a dança dos nossos olhares ou o ritmo da nossa rotina. Não há no mundo pontuação, estrutura ou métrica capaz de descrever o que acontece enquanto perdemos as palavras.


"Quando você diz, o que ninguém diz
Quando você quer, o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Você me faz parecer meno só, menos sozinho..."
[Skap - Zeca Baleiro]



♥ ♥ ♥ 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

JOGO DA VERDADE - Rogério Oliveira




Rogério Oliveira é um ser humano incrível e lindo (por dentro e por fora, acreditem) que tive o enorme prazer de conhecer no evento Existe Amor em SP, realizado em novembro de 2015. Além de abraços apertados, trocamos altos papos numa varanda perdida na cidade de São Paulo e, confesso, não vejo a hora de repetir. 

Ele é dono de uma criatividade e uma sensibilidade inigualável. Tem personalidade forte e seus valores muito bem claros. Acima de tudo, sente e ama como gente, como ser humano cheio de sentimentos, e deixa tudo isso fluir nas maravilhas que escreve. Vem conhecer um pouco mais sobre ele?



♥ QUANDO COMEÇOU A ESCREVER E POR QUÊ?

Comecei a escrever desde a época do colégio, sempre apaixonado por rabiscar os cadernos e bloquinhos. Fui crescendo e passando a me apaixonar ainda mais por esse universo. Comecei a escrever por hobby mesmo, válvula de escape ou coisa do gênero. Alguns amigos que tinham pagina começaram a postar coisas minhas e o pessoal foi se identificando e me descobrindo aos poucos, até que, por insistência, criei o meu canto (que leva o meu nome) e estou onde estou agora. Deixou de ser apenas “vou postar pra ver o que acham’’ para "vou melhorar o dia de alguém e impulsionar quem me lê quase diariamente". Hoje é trabalho, é dedicação, é amor pelo o que faço. Respiro/amo/sou tudo que compartilho por esse mundão!


♥ QUAL TIPO DE TEXTO PREFERE ESCREVER E QUAL GOSTA DE LER?

Eu tenho fases. Boas fases, por sinal. Eu gosto de escrever sobre fé, esperança, motivação, amor próprio, otimismo, superação... Gosto de colocar no papel o que verdadeiramente estou sentindo, ou quero sentir. Ou que observo por aí. Gosto de ler o que me prende, me faz pensar, ser e melhorar cada vez mais.

QUAIS OS AUTORES QUE MAIS LÊ E ADMIRA?

São tantos, viu? (rs) Caio F. Abreu é o mestre. O cara que me fez dar ritmo a tantos textos incertos da vida. O que me fez conhecer bastante gente legal e me deu coragem pra me mostrar no universo da escrita. Mas gosto de Clarissa Corrêa, Martha Medeiros e um bando de amigos escritores que sou fã e carrego comigo!


♥ QUAL A SUA MAIOR FONTES DE INSPIRAÇÃO? HISTÓRIAS VIVIDAS OU APENAS FANTASIAS? MÚSICAS? 


Tudo é um conjunto! Histórias já vividas, algumas que gostaria de viver. Umas vejo por aí na volta pra casa, depois de um dia cheio, ou leio e exponho o meu ponto de vista! A vida inspira, ouvir música inspira, os leitores inspiram (rs) e por aí vai!


TÔ SABENDO QUE VEM LIVRO POR AÍ, CONTA MAIS?

VEM COM TUDO! Aguardando os últimos ajustes da gráfica pra sair compartilhando por aí! O Livro é em parceria com a amiga e escritora Marcely Pieroni Gastaldi. Resolvemos colocar em prática essa junção de amizade de longa data e plurais que escrevemos desde sempre! Pensamos muito parecido e os textos que escrevemos juntos sempre se complementam. A galera gosta. (rs) O livro é uma mistura de textos inéditos, tanto meus quanto dela, e uma outra parte com textos escritos pelos dois! Se chama “Não diz que eu não avisei.” e acho que a galera vai se identificar bastante. Estou ansioso!!!!



♥ Uma música: são tantas que não consigo pensar em apenas uma (rs).

♥ Um defeito: teimosia

♥ Uma qualidade: fidelidade

♥ Uma saudade: vó (materna e paterna) =/

♥ Um sonho: poder viver da escrita e conhecer todos os leitores que me acompanham.





♥ ♥ 

EU TENHO MEDO DE TE ESQUECER.

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 Ouça enquanto lê: John Mayer - Stop This Train 

O tempo, sempre traiçoeiro, corrompe nossa memória sem ao menos pedir licença. Bagunça nossas gavetas secretas, misturando lembranças que julgávamos estarem muito bem vivas e organizadas. O tempo não perdoa, meu caro.

Como era mesmo a barba dele? A voz, lembrava Cazuza ou Renato? Não, os cabelos eram do Cazuza, a voz é que lembrava Renato. Ou seria contrário? O andar era calmo? Às vezes acho que era apressado, em passos curtos. — Por vezes me pego te esquecendo um pouco, ainda que esquecer de ti seja humanamente impossível. Seria esquecer, também, de mim.

Tempo... É danado pra confundir a gente, sabe. Tem dias que acordo inverno, mesmo que o sol me bata à porta e acabe invadindo tudo pelas janelas. Tem dias que fecho as cortinas e gosto de contemplar o breu do quarto vazio. Há pouco tempo que dividia o espaço com tuas malas e teu violão. Era marrom ou branco? — Dele não me recordo. Em contrapartida, sinto gosto de brigadeiro, sendo devorado ainda quente enquanto colocávamos o papo em dia.

Dia desses pude jurar que te vi na rua, parado no semáforo dentro do carro ao lado. Esfreguei os olhos com força e, confesso, me dei uns tapas na cara julgando ser culpa do sono. Olhei novamente e o rapaz em nada lembrava teu rosto. Era possível que eu estivesse te esquecendo? Logo eu, que conheço cada traço da tua... Conhecia. Percebe? Os verbos se confundem tanto quanto as nossas lembranças. Será que aí, do outro lado, de onde sei que me observas em silêncio, também esqueces das coisas? Duvido.

A verdade é que tenho medo, sabia? Tive medo no instante em que recebi aquele telefonema, por saber que os anos seriam mais difíceis sem tua risada de menino e teu abraço de homem-urso. Tive medo quando abri a porta de casa e não foi pra te receber. Tive medo de dar partida no carro. Tive medo quando saí na rua e o sol te traía, brilhando como nunca. Tive medo de, um dia, ser como o sol e não me importar com a tua ausência enquanto brilha.

Sei que não deveria, mas tenho medo da velhice. Não pelas rugas ou pela fraqueza nos passos. Não temo perder a força ou esquecer o caminho de casa. Poderia perambular pelas ruas, poderia me esquecer de quem vejo refletida no espelho, mas nunca me perdoaria se, por um instante que fosse, eu me esquecesse de você.

O tempo não perdoa, meu caro. Por isso, te peço, me perdoe se eu — mesmo lutando com todas as minhas forças — falhar. Não é por mal. O tempo bagunça nossas gavetas secretas, misturando lembranças que julgávamos estarem muito bem vivas e organizadas. Traiçoeiro, corrompe nossa memória sem ao menos pedir licença.

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*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

INSÔNIA NÃO É AUSÊNCIA. É EXCESSO.

insônia


06:00 - A madrugada está mais fria do que de costume, a cama parece maior do que realmente é e o travesseiro muito mais desconfortável. Para completar o quadro, o telefone não para de tocar. Uma mensagem seguida de outra. São amigos querendo saber se sobrevivi depois da noite passada, algumas palavras duras de um outro alguém e, claro, minha mãe querendo saber se estou viva. Até a operadora de telefone me mandou mensagem nessa madrugada, mas nada de você.

Nem mensagem, nem ligação ou qualquer sinal de que essa saudade também tenha tirado teu sono. Nenhum mísero indício de que há também em ti um vazio que carregue meu nome. Me conformo. Brigo com meu corpo, digo que quem manda na porra toda sou eu e tento dormir. Não deve ser tão difícil assim, né?

...

06:15 - Okay! É mais difícil do que imaginei. Entre um cochilo e outro percebo que algumas lágrimas escaparam dos meus olhos, enquanto minha memória, infeliz, me lembra uma música do Blink 182 e eu finjo que a letra não combina em nada com a minha realidade insone. Em vão. "I miss you... I cannot sleep, I cannot dream tonight...". Abro a galeria do meu celular e olho sua foto pela décima vez na última meia hora e, sem perceber, adormeço desejando não acordar antes do meio-dia.

...

06:55 - Acordo procurando outro corpo na cama, sem ter nenhuma lembrança do que fiz na última meia hora ou do por quê de você não estar ali. Tateio o lençol, desta vez em busca do celular. Depois de conferir o relógio e xingar minha insônia, olho sua foto mais uma vez e, novamente, lágrimas voltam a escapar. A impulsividade me pede pra te ligar, só pra te falar da falta que sinto e ouvir mais uma vez a sua-minha "voz de travesseiro", me atendendo com um Alô carregado de sono. Mas não liguei. Desisti de procurar o sono e fui em busca da minha caneta e do primeiro papel que encontrei pela frente.

"Hoje eu quis te ligar, de novo.

Queria contar que os últimos dias sem você tem sido vazios. Talvez não seja essa a melhor palavra. Foram chatos... Não, chatos também não. Já sei! Os dias sem você tem sido...normais.Preciso confessar que vivi alguns momentos intensos, divertidos e até — me atrevo — alegres. Ainda assim, foram apenas dias normais. E você bem sabe que o normal nunca me agradou.

Dias normais não são quentes nem frios. Não são bonitos nem feios. O sol brilha, mas não aquece. Também têm pôr-do-sol, mas nenhum que deixe o céu cor-de-rosa, daqueles que dão vontade de aplaudir. As noites são de céu limpo, mas sem estrelas. Dias normais tem risadas, mas não têm sorrisos. Tem abraços, mas não têm coração acelerado. Tem beijo, mas não têm falta de ar. Tem música, mas não tem sentido. Dias normais não tem você.

Queria ligar pra contar que na noite passada teu cheiro me fez uma visita, grudou na minha roupa e não quis ir embora, ainda que eu tenha implorado. De início julguei estar enlouquecendo, mas em pouco tempo me dei conta de que era um simples sinal. Meu corpo encontrara uma forma de me dizer onde e, principalmente, com quem queria estar...

Hoje eu quis te ligar, mas de novo, fui covarde perante meus medos. De novo, guardei você como uma lembrança bonita e inalcançável, daquelas que a gente guarda num potinho e abre quando adormece. Que possamos nos encontrar em sonhos com árvores azuis, rios de chocolate e as nuvens de algodão que você imaginou pra gente. Que façamos nossa a tua canção e que nosso castelo esteja de portas abertas, que é pra gente brincar de ser conto-de-fadas que acontece, só dessa vez..."

Interrompo mais uma carta que nunca será enviada e noto que gotas começam a cair na folha amarrotada, manchando a tinta fresca azul-cor-de-noite e borrando nossa história de ninar, ironicamente, imitando a vida.

Olho para o relógio e agora já passa das sete e meia. Imagino que você deva estar dentro de algum metrô lotado, carregando sua mochila entre as pernas e escolhendo alguma playlist que não te faça lembrar de mim. Os olhos pesam e percebo que o sono chega, devagarinho, sorrateiro. Ao redor tudo é silêncio e quase posso te ouvir sussurrando um "Durma bem". Sonolenta, adormeço deixando escapar...

— Durma bem também, meu amor.

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*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.