JOGO DA VERDADE - BEATRIZ ZANZINI

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Quando organizamos o evento Encontro de Escritores - Existe Amor Em SP, não imaginávamos quem realmente iria, já que um escritor convidou outro, que convidou outro e assim por diante. Quando percebemos, mais de 20 escritores estavam reunidos numa mesa de bar e trocando ideias, experiência e muitos abraços. De repente, uma voz me chama.

— "Gi?"

Aí a Bia apareceu com um sorriso enorme — um contraste maravilhoso com toda sua fofura compacta em um metro e meio de gente — e me deu um super abraço. Desses que a gente dá quando reencontra amigo de infância. A partir daí eu já soube que ela era muito mais do que uma escritora que compareceu ao evento que ajudei a organizar.

Tempos depois descobrimos que somos quase vizinhas e uma amizade incrível nasceu — e agradeço todos os dias por isso. Acredite, se você a conhecer um pouco mais vai saber que ela é um ser incrível daqueles que a gente quer carregar num potinho — olha que ela cabe, hein — o tempo todo. Hoje tenho prazer de dizer que além de escritora fantástica, ela é uma amiga maravilhosa. Vem conhecer um pouquinho mais sobre ela?


♥ QUANDO COMEÇOU A ESCREVER E POR QUÊ?
Comecei por volta dos 15, 16 anos. Sempre que acontecia alguma coisa ou quando algum pensamento/sentimento vinha à tona, eu escrevia em um blog. Me sentia melhor depois de fazer isso, então virou um hábito.


♥ QUAL TIPO DE TEXTO PREFERE ESCREVER E QUAL GOSTA DE LER?
Prefiro escrever crônicas, mas adoro ler romance policial. Só não tento escrever um porque não levo jeito... rs


QUAIS OS AUTORES QUE MAIS LÊ E ADMIRA?
Gosto bastante do Bukowski, Caio Fernando Abreu, Martha Medeiros, Fernanda Mello e de muitos amigos escritores que também admiro. Não me arrisco a citar nomes por medo de esquecer de algum... rs Mas, devo admitir que a minha grande inspiração é a Clarice Lispector. Tenho até uma frase dela tatuada na costela.


♥ QUAL A SUA MAIOR FONTES DE INSPIRAÇÃO? HISTÓRIAS VIVIDAS OU APENAS FANTASIAS? MÚSICAS? 
Difícil dizer porque às vezes algumas coisas simples me inspiram (um gesto, uma flor que encontro no caminho, um sorriso que recebo e por aí vai). Histórias vividas por mim ou por amigos/conhecidos, fantasias, músicas, filmes e textos também servem de inspiração.


TÔ SABENDO QUE VEM LIVRO POR AÍ, CONTA MAIS?
Eu tenho um romance quase pronto para publicar, mas tem uma surpresa nele que eu ainda não posso contar. Aguardem! rs Só posso adiantar que ele fala sobre a vida de uma mulher que fica solteira depois de ser traída por um namorado.



♥ Uma música: It's my life - Bon Jovi



♥ Um defeito: Teimosia

 Uma qualidade: Lealdade

♥ Uma saudade: Meu avô e meu padrinho

♥ Um sonho: Ganhar dinheiro sendo escritora



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♥ ♥ 

AQUELES OLHOS.



Existem momentos que nos roubam o ar.

Como aquele em que você está olhando para o nada, pensando, sei lá, na conta que tem que pagar semana que vem ou tentando se lembrar aonde deixou suas chaves. Sabe? Num desses dias em que a cabeça vive nas nuvens e a memória nos prega peças. A intuição te diz que alguém te observa, mas você paga pra ver. E sente que ganhou na loteria.

Bastou um meio giro do pescoço para cruzar o olhar com eles, os olhos mais doces que já vi na vida. Sorrindo só para mim. Me admiravam como se eu fosse a oitava maravilha, como se nenhum ruído fosse capaz de desviar a atenção, como se no mundo não existisse nada além de nós. Sorri, um pouco tímida, confesso.

— O que foi? Por quê tá me olhando assim?
Nada. Tô só olhando, ué. Não pode?

Quis berrar. Não, não pode me olhar assim. Não pode me enxergar pelo lado de dentro, de forma tão descarada, sem nem pedir licença — mas fiquei calada. E você apenas sorri. Pisca devagar e agora seus olhos também brilham. O mundo, mais uma vez, se apequena diante da imensidão do teu sorriso e sinto como se meu corpo afundasse cada vez mais.

A essa altura eu já tinha esquecido completamente da data do vencimento da conta e onde deixei as chaves. Desconfio que mal lembre qual o meu nome e telefone, mas tenho absoluta certeza de que depois daquele momento nunca mais esquecerei meu endereço.

Senti que, em algum momento dos segundos que se passaram, uma marca foi feita a ferro e fogo, em letras garrafais, onde se lia: LAR. Então eu soube que ali, naquele exato minuto, havia deixado de me pertencer. Não da forma pejorativa, mas da forma mais bela que um ser humano pode se doar: sem perceber, por amor.

Nenhum outro abraço seria tão quente quanto aquele. Nenhum outro abrigo seria tão seguro quanto aquele. Nenhuma outra respiração me acalmaria, como canção de ninar, da mesma forma que a sua. Suspirei. Não haveria, no mundo, outro lugar para morar.

Minha casa é ao alcance dos teus olhos, meu bem.


♥ ♥ ♥ 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

VOLTA LOGO.

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O sol já tomava conta do quarto, quando sentiu que o lado esquerdo da cama estava vazio. Lembrava de um beijo, mas ainda não sabia se era uma lembrança de fato, ou apenas resquício de sonho bonito. A dúvida foi tirada quando ouviu a voz doce que vinha da ponta da cama. Não era sonho.

Bom dia meu amor, dormiu bem?
Uhum — disse, com os olhos fechados e a voz ainda carregada de sonhos.
Vou tomar um banho, você faz o café?
Hm... Já vou. — ainda sem saber se já acordara realmente.

Da cama pôde ouvir o som da água caindo e um cantarolar leve, sorridente. O dia vai ser bom. É... vai. — pensou.

Levantou, lavou o rosto, deu bom dia para o espelho, abriu a porta do box e deixou um beijo molhado no chuveiro. Foi até a cozinha, ferveu a água e preparou o café com a medida de sempre. Duas colheres de sopa de café, 500ml de água, três colheres de açúcar e amor a gosto. Pronto! — abriu mais um sorriso e se aproximou pra sentir o cheiro de bom dia fresco.

Amor, o café tá pronto. Vai demorar?
Não, jajá eu chego aí. Vou me trocar.

Sentou no sofá e ficou ali por alguns minutos, observando a rotina de todos os dias. Cadê minha calça?... Deixa, já achei. — já conhecia todas as falas e as repetia, quase que de forma sincronizada, ainda que em silêncio. E sorria. Viu onde eu deixei meus... Xá pra lá, já achei também. — desconfiava que sempre sabia onde tudo estava, mas perguntava só pelo prazer do cuidado. E da preguiça de procurar, claro.

Sabia bem que nada grandioso acontecia naquela manhã, mas sorria pelo prazer de observar a vida que, aos trancos e barrancos, construíram. O café era o mesmo, a roupa era a de sempre, nenhuma data especial marcada no calendário, nenhum aniversário ou acontecimento importante estava por vir. Mas sorriam.

Dali do sofá, admirava o ir e vir apressado, atrasado. Ainda que a manhã começasse agitada, era calmaria que se espalhava por dentro. Mais uma vez a certeza tomou conta dos pensamentos e a felicidade estampada em seu rosto transparecia, ainda que não pudesse ser vista por qualquer pessoa que lhe encontrasse por aí.

Por que você tá sorrindo assim? — um flagra.
Não sei do que você tá falando. Minha boca tá fechada.
Não precisa mexer a boca pra eu saber que você sorri. São seus olhos que sempre te entregam, lembra?

Era verdade. Por mais que tentasse disfarçar, seus olhos sempre lhe entregaram. Quando tristes, choram sem derramar lágrimas e quando felizes, sabem sorrir sem que o rosto mude. Bastava uma piscada lenta para que entregassem seus pensamentos apaixonados. E naquela manhã não foi nada diferente.

Após o café e uma boa dose de conversas sobre tudo — sem que percebessem, criaram esse hábito matinal —, ganhou um beijo na testa, seguido de um abraço apertado e um jajá eu tô de volta. Depois da testa, lhe beijou os lábios como quem deseja que as horas passem logo e o "jajá" seja mais breve do que realmente é.

Não queria que você tivesse que ir.
Nem eu.
Promete que volta logo?
Prometo.

Ficou observando os passos apressados no corredor, até que eles estivessem fora do seu alcance. Fechou a porta do apartamento, serviu mais uma xícara de café, abriu a cortina e voltou ao sofá. Sorriu, mais uma vez, sem abrir a boca.

O dia vai ser bom. É... vai.

♥ ♥ ♥ 

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PLAYLIST: AS MAIS OUVIDAS DA SEMANA #4

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Não faltei com vocês. YEY! Tô aqui de novo, com mais uma playlist da semana. Confesso que ouvi pouca coisa nova essa semana, mas tem uns vícios antigos que resolveram voltar, então acho que vão gostar. 

E se você perdeu a da semana passada, é só clicar aqui e dar uma olhadinha nas músicas indicadas.

 NINA OLIVEIRA E GABI DA PELE PRETA - DISK DENÚNCIA
Sou bem suspeita pra falar da Nina Oliveira. Tive o prazer de receber essa maravilha de mulher (miniatura) na minha casa, assim como tive o prazer de cantarolar ao lado dela e sou só elogios. Um talento gigantesco. Isso dito, precisamos falar dessa música. Sério! P.r.e.c.i.s.a.m.o.s. Elas fazem uma clara referência à "Geni e o Zepelim" e à violência doméstica, à comercialização e visão da mulher como objeto. Sem mais, ouçam. 



 LINIKER - ZERO
Conheci essa belezura no youtube, entre uma sugestão e outra, e me apaixonei de cara. Que voz. Que estilo. Que presença. Liniker é um dos favoritos da nova geração e tem feito um mega sucesso, enquanto quebra milhares de preconceitos e barreiras. Vale os minutinhos pra ouvir. 




 LUSO BAIÃO - SURPRESA BOA
Surpresa boa foi ter recebido essa indicação da linda Marina Couto. Minha nossinhora dos forrozeiros, que delícia de som. É daquelas que a gente coloca no último volume e sai dançando pela casa de calcinha... Não, pera. Essa sou eu. (kkk) Mas essa música é mega contagiante e dá sim vontade de dançar até cansar. Perdi as contas de quantas vezes apertei o repeat.




 ED SHEERAN - ONE
Deixando as nacionais de lado um pouquinho, hoje trago o queridinho Ed Sheeran e essa música que eu tanto amo. É daquelas que escuto pra acalmar, sabe? Quando quero criar também, daí deixo que ele faça surgir os sentimentos mais gostosos. Vale o play também. 



 MAIARA E MARAISA - DEZ POR CENTO 
Sofrência tinha que aparecer, né? Pois é, eu disse que estava viciada nessas duas. E estou mesmo. Como sempre, me reúno com a família nos aniversários e viviam me pedindo pra aprender essa música. Agora que aprendi não esqueço mais (e não tivemos mais nenhuma festa de família pra eu cantarolar, droga). Então o jeito é ficar namorando a Marai... Não... a música pelo youtube.




Bom pessoal, por hoje é só!

Gostou da ideia? Então comenta aqui embaixo o que achou e, se quiser, manda a sua lista das 5 mais ouvidas da semana. 


♥ ♥ 


JOGO DA VERDADE - MAFÊ PROBST

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Antes de começar a falar da minha gêmea loira, quero explicar o que é que está acontecendo aqui.

Toda quarta-feira, religiosamente, vou convidar um escritor que admiro pra bater um papo respondendo algumas perguntas simples. A ideia é que vocês que me leem também possam conhecer as mentes brilhantes e lindas que eu admiro. Clichê? Com certeza, mas eu sou grata por conhecer tanta gente bacana e não poderia guardar isso só pra mim, né?

Para a nossa primeira semana eu não poderia escolher alguém além da Mafê, a quem devo este blog lindo e muitas outras ideias que construímos juntas. A conheci por indicação de uma leitora e – confesso – de cara não nos demos muito bem. Mas a vida tem um jeitinho engraçado de nos mostrar abrigo onde enxergamos confusão. Aos poucos fomos nos conhecendo melhor e hoje a chamo de amiga, com orgulho.

Além de parceira de Superela, O Amor É Brega e Existe Amor Por Todo Canto (que ela ajudou a fundar), Mafê é parceira pra vida toda e desejo, apenas, que nossos encontros sejam infinitos e os nossos abraços também. Vem conhecer e se apaixonar também?


♥ QUANDO COMEÇOU A ESCREVER E POR QUÊ?
Eu sempre gostei de escrever, desde pequena. Curtia demais fazer redação na escola. Mas comecei a escrever “publicamente” no final de dois mil e seis, quando um primo me convidou para entrar no mundo blogueiro e expor para todos aquilo que eu rascunhava em diários velhos e multicoloridos. Comecei tímida, mas peguei gosto e não larguei mais.


♥ QUAL TIPO DE TEXTO PREFERE ESCREVER E QUAL GOSTA DE LER?
Não tenho uma preferência para escrever... eu gosto de por para fora aquilo que tá acumulado do lado de dentro. Talvez a preferência seja por aquele texto que simplesmente sai, sem ter que pensar muito. Esses são os melhores. E gosto de ler de tudo um pouco, sobretudo sobre o amor, relacionamentos e diálogos – eu amo ler diálogos.


QUAIS OS AUTORES QUE MAIS LÊ E ADMIRA?
Essa pergunta é um pouco pegadinha, porque eu poderia começar a listar um monte de gente que eu admiro pra caramba e esquecer de outro tanto. Eu admiro demais os novos escritores. É preciso muita coragem para tentar se lançar em livro. Para não me prolongar demais, eu vou citar a Nanda Mello, um serumaninho lindo e loiro que tive o prazer de conhecer. Além de escrever divinamente bem, ela tem uma alma incrível! Abrangendo a pergunta, eu cito Marcus Zusak, autor de A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro, meus dois livros favoritos da vida.


♥ QUAL A SUA MAIOR FONTES DE INSPIRAÇÃO? HISTÓRIAS VIVIDAS OU APENAS FANTASIAS? MÚSICAS? 
Eu amo um clichê, então me soa favorável responder que tudo me inspira. Eu tive a oportunidade de fazer um curso de escrita com a Priscila Nicolielo e ela frisou tanto isso, que acabou por se tornar verdade para mim. Um bom escritor é um bom observador, e a gente tem muito a somar ao observar as nuances da rotina. Mas confesso (e espero que não espalhem), que em quase todos os textos tem muito de mim. São fantasias baseadas em sentimentos reais.


O QUE SINGIFICOU PARA VOCÊ PUBLICAR O LIVRO "SAUDADE EM PRETO E BRANCO"?
Foi uma libertação, no fim. Quando resolvi publicar o Saudade, selecionei os textos porque eles tinham uma aceitação incrível no blog e achei que seria lindo poder espalhar a história do Dan por aí. Foi mais que incrível! Eu vi tanto de mim nas pessoas e pude descobrir que a saudade é um sentimento universal; acho que consegui – sem querer, porque nunca foi o plano – fazer com que as pessoas olhassem para sua saudade doendo um pouco menos. Existe uma linha tênue que separa a dor dilacerada de um dorzinha bonita. Eu torço para que todos fiquem só com aquela dorzinha bonita. E sobre libertação... Depois que fiz da minha saudade a saudade de todos, calou aqui do lado de dentro. Passei a escrever muito menos para o Dan. Escrevi sobre esse ponto final aqui meses depois. E depois de três anos, tive só mais três textos. Acho que, enfim, descansamos em paz.



♥ Uma música: O anjo mais velho – O Teatro Mágico


♥ Um defeito: curiosidade excessiva (a culpa é do zodíaco, certeza)

♥ Uma qualidade: reza a lenda que sou prestativa

♥ Uma saudade: chocolate da turma da Mônica

♥ Um sonho: ser inteira.




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♥ ♥ 

Playlist: AS MAIS OUVIDAS DA SEMANA #3

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Voltamos com mais uma quinta falando de música por aqui. A partir de hoje eu prometo que toda quinta vocês só verão músicas e cantores por aqui — sério, me cobrem porque eu tenho mania de começar e acabar deixando pra lá. (e eu detesto isso)

Espero que tenham gostado da última playlist e se você perdeu, é só clicar aqui e dar uma olhadinha nas músicas indicadas.

 MUMFORD & SONS - BELIEVE
Não sei explicar ao certo o motivo, mas essa música me causa uma leveza e uma vontade de ser mais. Aprendi a gostar de Mumford & Sons com a esposa, aí me apaixonei. Quando eles gritam "Say something! Say something! Somethings like you love me."(Diga alguma coisa! Diga alguma coisa! Algo como "eu te amo") eu me arrepio inteira. Conheço bem a sensação de implorar uma resposta que não chega e talvez seja por isso que me identifico tanto com ela. Não consigo parar de ouvir.



 NICK MULVEY - FEVER TO THE FORM
Desta vez não tem muito a ver com a letra, mas a forma como ele canta e a melodia da música. Não sei se é só comigo, mas de tempos em tempos eu tenho uma música predileta pra me ajudar a criar. Sempre que quero escrever um texto e me sinto travada, eu corro para uma música específica e aperto o repeat. Ela vai rodar 300 vezes, se for necessário, mas é o que me ajuda a finalizar o que comecei. Atualmente, esta é a minha favorita para criar. Ainda que eu entenda a letra, eu me desligo dela e ouço apenas os tons e os contrastes. Confissão: ela fica melhor a partir dos 2 minutos. 



 MAIARA E MARAISA - MEDO BOBO
Aô mundão da sofrência. Giselle F não é só cult ou internacional. Sim, eu adoro uma sofrência e depois que descobri Maiara & Maraisa (se pronuncia Maraísa) meu mundo mudou. Ouvi essa música pela primeira vez aqui, no instagram da Ludmilla (ela faz um voz e violão maravilhoso) e me apaixonei. Fui procurar saber qual era a música original e encontrei essa dupla mara e, confesso, Maraisa entrou pra minha lista de crushs. Me julguem. Gostei tanto que fiz até um vídeo de cover aqui.



 THE COVER MATES - LINDA LOUCA E MIMADA
Essa música é da banda Oriente, mas eu a conheci com a galera do canal Cover Mates e fiquei encantada pela voz da Karen Kumagai. Já ouvi outros covers da mesma música, mas esse ainda dispara como o meu favorito.



 LITTLE BIG TOWN - GIRL CRUSH 
Vamos de country? Eu sou maluca, apaixonada, vidrada nessa música desde que a conheci, não lembro quando. A letra é linda, a banda é mara e a música é indescritível. Mais uma que gostei tanto que fiz um cover lá no insta. Vivo cantarolando e não me canso.




Bom pessoal, por hoje é só!

Gostou da ideia? Então comenta aqui embaixo o que achou e, se quiser, manda a sua lista das 5 mais ouvidas da semana. 


♥ ♥ 

VINHO, CIGARRO E DESPEDIDA.


Passara os últimos dias sem pronunciar uma palavra sequer e eu, em silêncio estava, em silêncio fiquei, somente a te observar. Com o passar do tempo a falta da tua voz falou mais alto, mas o máximo que conseguia arrancar de ti era um “me deixa”, “não fala nada, por favor” ou “eu não quero conversar”, sempre que eu tentava puxar qualquer assunto. A cada resposta, minh’alma congelava a tal ponto que nem o aquecedor seria capaz de reverter o inverno que se se instaurou cá dentro — ainda que eu o tenha causado.

Confesso que as noites sem teu corpo junto ao meu foram mais cortantes que qualquer frio, mas, mesmo assim — com grande esforço, confesso — dormi. Fui traída pelos meus sonhos, onde a distância entre nós não passava de pesadelo e acordava com teus beijos novamente. Amanhecia com teu abraço acolhedor e teu cheiro de bom dia a me entorpecer. Ao acordar na madrugada, notei apenas o teu lado da cama ainda arrumado, intacto, vazio. Tanto quanto a minha vida, sem ti.

Esta noite o sofá da sala lhe pareceu mais apropriado.

Meus pés tentaram caminhar até você, minhas mãos quiseram acariciar teu rosto e minha boca quis te despertar com um beijo na testa e um "vem pra cama, amor", mas quem sou eu pra reclamar ou perguntar o que de mim será, se fui eu quem imaginou, gritou, berrou e pensou ter razão? Quem sou eu pra questionar o que de nós será, se fui eu quem criou a tempestade, derrubando o pouco que restou de nós? Ninguém. Sem ti, é só o que me resta ser.

Eu sei, foi da minha boca que saíram as acusações, as especulações absurdas que o tal ciúme debruçado em meu peito me fez sentir. Ainda assim, te peço, tenta enxergar que ao menos o meu medo tem razão de existir. Imaginar um outro alguém, tão feliz quanto eu, a receber teus carinhos, a ter o teu querer, o teu sentir, o teu amar… Me enlouqueceu.

Hoje eu sei, teu amor sempre foi só meu, mas hoje o saber não adianta mais. Hoje já é tarde. Hoje será a última noite lilás na sala que agora exala vinho, cigarro e despedida. A luz do abajur ilumina a cena, como num filme de baixo orçamento, e eu — mera espectadora daquele momento único, entre uma taça e outra de vinho —, me vi estática, petrificada, completamente envolvida pelo olhar que nada expressa e, ao mesmo tempo, tudo me diz.

Eram altos os berros e me ensurdeciam a cada piscada. Foram poucos os minutos a observá-los, mas foram suficientes para eternizá-los mentalmente, inúmeras vezes, detalhe por detalhe. Teus olhos castanhos que, quando úmidos, disfarçam-se de ébano. Negros, carregados de mistérios que eu, deliciosamente, tentava desvendar. Não deu tempo.

Quando finalmente o sol já apontava nas janelas mal cobertas, teus olhos me encontraram na outra ponta da sala. E já era tarde demais. As malas já estavam prontas e tua decisão já estava tão tomada quanto a garrafa de vinho em cima da mesa de centro, tão negra quanto teus olhos ao me olhar pela última vez antes de sair pela porta.

E eu, na companhia da taça vazia manchada de batom, me perguntava: "E agora, que será da vida sem o meu amor?"

♥ ♥ ♥ 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

CARTA AO AMOR PERDIDO.

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Oi, como você está? Espero que bem.

Sei que faz tempo que não te escrevo, mas presenciei algo hoje que me fez pensar muito em tudo que vivemos e eu, como sempre, precisava te contar o que finalmente entendi sobre nós. Espero que você leia até o fim e também entenda.

Enquanto eu finalizava minha pilha de relatórios matinais, ouvi uma das minhas colegas de trabalho reclamar por não se lembrar de algo que ia falar, até que alguém que estava próximo sugeriu que ela refizesse o raciocínio, na tentativa de recuperar o que foi esquecido. Falavam sobre pensamentos, ideias e palavras, mas na minha cabeça — mais conhecida por ser uma enorme bagunça — eu só conseguia pensar em uma coisa: nós.

Será que se eu voltasse e percorresse o caminho que trilhamos, conseguiria recuperar o que perdemos nas pedras, buracos, e crateras das ruas por onde passamos? Será que tudo que deixamos para trás estaria lá a nos esperar?

Talvez eu desse de cara com aquela admiração que nós tínhamos um pelo outro, o respeito mútuo, o carinho na medida certa e o cuidado gratuito. Quem sabe? Quem sabe, caminhando por aí eu não cruzasse com a fé que tinha em ti, a que tinhas em mim e a que ambos tínhamos em nós. Quem dera...

Pelo caminho também poderia reencontrar os sorrisos largos que deixei de dar, só por te ver, e o brilho nos olhos que esquecemos de manter. Será que eu conseguiria? Será que nesse mesmo caminho, a tal preocupação não apareceria também, junto com o companheirismo que não vemos há tempos? Talvez eu também encontrasse aquela paixão avassaladora que nos uniu, nos transformou em "nós" e fez de ti meu porto e de mim, teu abrigo.

Queria saber se por aí, em algum lugar desses anos todos, se encontram essas coisas, nada pequenas, que fizeram de nós dois um casal, dois corpos num encaixe [im]perfeito e duas almas em [con]fusão. Não sei e nem ouso sair por aí, andando não sei por onde, caçando não sei o quê. 

A única certeza que tenho é a de que poderíamos encontrar tudo, exceto amor. O meu por ti. O teu por mim. O nosso por nós. É que, com o tempo, percebi que somos capazes de recuperar as coisas que perdemos, as ideias que nos esquecemos, o assunto que ficou para depois, mas nunca aquilo que abandonamos. Nosso amor não se perdeu, nós é que nos perdemos dele e o abandonamos.

Se por acaso o encontrar, pode me fazer um favor? Diga que a saudade ainda insiste em me visitar vezenquando, mas já não posso mais voltar.

Com pesar,
Eu.

♥ ♥ ♥ 

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SETE COISAS.



Tem meme? Tem sim senhor. Tem a tag mara que achei no #BlogdaMF, da loira Mafê Probst. A ideia é simples: listar sete coisas diversas. O desafio foi dado e cumprido —  com certa dificuldade, confesso —  lindamente. Vem conferir?








1. Ser mãe e tudo que engloba o verdadeiro significado desta palavra (ter, educar, ajudar, ensinar...)
2. Lançar alguns livros.
3. Tatuagens. 5, no mínimo.
4. Viajar muito. Brasil inteiro, Nova Zelândia, Italia, França, Grécia, Croácia... Pra onde puder.
5. Montar uma casa. Do jeito que sonho, em par.
6. Voltar a cantar por aí.
7. Aprender a dirigir (preciso e queria acordar sabendo tudo kkk).


1. "Cê jura?"
2. "Morri!"
3. Palavrões diversos. Tanto pra xingar quanto pra elogiar. Adoro elogios com palavrões.
4. "Acabou meu cigarro."
5. "Me deixa dormir mais um pouquinho." (sério, falo isso todo santo dia)
6. "Tá mara."
7. Repito palavras quando quero dizer que algo ficou muito alguma coisa. (porque usar uma quando você pode repetir mil vezes e rir disso?)


1. Feijão. Sério, depois de muito penar, agora faço do jeito que mais amo no mundo.
2. Artes visuais. Sim, vou deixar a modéstia de lado pra dizer que tenho uma boa noção visual pra criar artes bem bonitinhas e até ajudo amigos com isso.
3. Sexo. Que me perdoem os pudicos, mas eu não vou me pintar de santa aqui, não.
4. Cantar. Falta técnica, mas sei que sou bem afinadinha.
5. Escrever. De vez em quando dá uma invejinha literária de uns textos meus, confesso.
6. Falo. tem gente que tem a maior dificuldade de dialogar, eu já não sofro com isso.
7. Aprendo idiomas com muita facilidade. 



1. Molho de tomate. Não tem santo que me faça acertar esse trem.
2. Administrar meu tempo. Roubei da Mafê por ser igualzinha. A gente se enrola todinha.
3. Desenhos. Gente, não levo o menor jeito pra desenhar nada no papel. Tem bebê que me vence.
4. Silêncio. E isso não é piada. Eu detesto ficar calada quando quero falar algo.
5. Mentir. Já foi o tempo em que eu conseguia ser descarada, hoje minha consciência me entrega antes mesmo de eu abrir a boca. Quem me conhece sempre sabe quando tô mentindo ou fingindo.
6. Puxar saco. E não tenho a menor intenção de aprender.
7. Tocar instrumentos de corda. O mais perto que chego é um ukulele e sei duas músicas.

1. Crianças.
2. O sol. Nascendo, se pondo, surgindo no meio das nuvens. Me atraso, mas paro pra contemplar.
3. O mar. 
4. Sorrisos largos. 
5. Entreolhar. É lindo e mágico.
6. Instrumentos de corda. Sou fascinada por eles, embora não saiba tocar nenhum.
7. Simplicidade.



1. Não é uma coisa, é uma pessoa.
2. Amigos. Eles são a família que eu não pude ter.
3. Nadar. Sim eu sou um peixe em forma humana, não nasci pra andar. 
4. Fotografar. A mim, aos outros, o céu, tudo.
5. Criar. O que quer que seja. Sinto um prazer surreal fazendo isso.
6. Beijar. Eu gosto mesmo e não acho que seja dispensável, independente do tempo de relação.
7. Ouvir música bem bem bem alta. 




1. Que me deem as costas quando estou falando. 
2. Me sentir culpada por algo. Não sei lidar com esse sentimento. 
3. Mentiras. Me machuque, mas não me faça de idiota. 
4. Insinuações. Seja direto(a) e assuma seu ponto de vista. 
5. Injustiças. 
6. Que segurem meus pulsos ou batam na minha cabeça. Nunca, em hipótese alguma, faça isso. Eu saio do corpo e não respondo pelo ser que toma conta de mim quando fazem isso, mesmo que de brincadeira. 
7. Sentir dor. No sentido literal ou figurado da palavra. 


3. Vai Que Chove?, da Renata Fabrício. 
4. Love Is Colorful, da Bárbara Nassar. 

♥ ♥ ♥ 


QUEM SABE ISSO QUER DIZER AMOR.



Era como se uma injeção de adrenalina acertasse meu peito em cheio, cada vez que nossos olhos se encontravam. Confesso, cheguei a pensar que a qualquer momento meu coração sairia pulando pela boca, em sua direção. Minhas entranhas gritavam teu nome e meus poros transpiravam você por toda parte. Já dizia Marcelo Camelo, até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei.

Por diversas vezes tentei caminhar para longe, fora do teu campo de visão, mas nunca era uma opção real. Ao tentar me afastar iria parecer uma aranha com patins tentando dançar. Acredite, seria tão ridícula quanto a comparação. Falar era mais do que uma missão impossível e nem o Tom Cruise, em sua melhor forma, conseguiria sair dessa.

— E você, moça, já sabe o que vai pedir?... Moça?

— É… Eu… É… Água.

— A senhora está passando bem? Precisa de ajuda?

Esse foi o garçom, tentando entender o motivo do meu suor desenfreado, da minha tremedeira escancarada e meus olhos fixados na porta de vidro da padaria. Tive vontade de gritar — Não moço, eu não estou bem e preciso de ajuda sim. Dá pra você ir ali, buscar aquele ser humano, dizer que eu não aguento mais, que vou explodir a qualquer momento se continuarmos nesse chove e não molha? —, mas me calei e apenas acenei que sim com a cabeça. Mentir para o garçom era tarefa fácil. Pra você, nunca.

Meu corpo respondia ao teu, mesmo que distante, de forma desconhecida. O que era aquilo? Que nome tinha? Quem inventou? Alguém poderia me explicar o que estava acontecendo comigo? Paixão? Atração? Química? Ilusão? As interrogações eram infinitas e, de alguma forma, a resposta estava no teu olhar disfarçado e no teu sorriso contido, a cada vez que eu fingia, sem sucesso, não corresponder.

Então, dali de longe, eu sentia medo.

Medo do que estava por vir, de ser vista daquele jeito, completamente fora do controle de mim mesma, medo de ser notada. Medo de ser correspondida, acima de todos. Por enquanto tudo acontecia na minha imaginação fértil, nos meus sonhos loucos e nos textos em que eu, subconscientemente, já falava de você, dos teus olhos doces, das tuas mãos firmes — ainda que delicadas — da tua voz gostosa e de tudo que já causavas em mim sequer me tocar.

O medo maior era tornar real. Medo do toque, da repetição dos olhares e que o — tão esperado — beijo, enfim, acontecesse. Como lidar com aquele turbilhão de sensações que me invadiam? — Como seria o depois? E se eu me perdesse de mim? E se mais uma vez eu me jogasse, me entregasse por inteira? E se eu me apaixonasse? E se fosse amor? O que eu faria? Melhor ficar longe, aqui é mais seguro. Aqui ninguém me alcança. — Pensava eu, na minha inocência, sem saber que você já era o meu "Eu nunca senti isso por alguém".

Era tarde, já nos pertencíamos sem saber.

Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você

Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor 
[Lô Borges e Márcio Borges]


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*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

NEM TODO SAMBA É SEM FIM.



Quis te contar que esgotei a memória do meu celular com os registros das ligações que eu não te fiz e das mensagens que não enviei, pra te contar da tal saudade que dominava meus dias que sem você, foram monocromáticos. Coloquei carneirinhos pra dormir contando todos os passos que não demos juntos ou as ruas por onde não caminhamos de mãos dadas. Quantas noites não entrelaçamos pernas e corpos nem dormi no teu peito. Contei também quantas manhãs não te vi acordar sorrindo bom dia, quantas músicas não cantei pra te fazer adormecer e quantos filmes não contaram nossa história.

 Acabei perdendo as contas de quantos cadernos eu gastei pra listar todos os planos que não fizemos, as contas que não dividimos, as casas onde não moramos, as reformas que não fizemos, as decorações que não planejamos, os filhos e os cachorros que não tivemos. Cansei os ouvidos de todas os meus amigos, com as minhas incansáveis ideias de tudo que poderíamos ter vivido, não fosse esse tal Sr. Medo, parente da Dona Insegurança e conhecidos da Srta. Burrice, visitas frequentes e indesejadas nos meus dias.

Falei também sobre o ódio que nunca senti por você e daquela vontade que nunca tive de me afastar. Sei não, talvez seja um tanto masoquista, mas sempre me mantive por perto, mesmo isso me custando alguns bons trocados gastos com band-aids e merthiolate. Ardi por você, esquecendo de procurar uma cura, por mim. Nunca permiti que a casca se formasse e lá estava eu, mais uma vez, te assistindo em silêncio enquanto você publicava em todo canto o quanto estava feliz com seu emprego novo na empresa que te indiquei. Com a namorada nova, amiga de uma amiga que te apresentei.

Disquei teu número algumas vezes semana passada, mas não tive coragem de apertar o botãozinho verde e despejar em ti tudo que me tira o sono. Lembrei de todos os teus convites que recusei, todas as vezes em que te dei as costas e fui embora sem motivo aparente. É que eu não queria ter que te dizer. Precisava que você reparasse, mas você não viu. Você não me viu.

Já não sei mais quantos sambas cantei ou quantas cervejas tomei nos bares onde poderíamos escrever nossa história. Já não sei mais quantos garçons se entediaram com minhas lamúrias de um talvez que se tornou nunca mais. Pega o telefone e liga logo — todos os pedidos em vão. É verdade, eu tentei. Mas não contei. Não liguei. Não escrevi. Me calei. Me fechei. Me afastei. Te odiei. Até que, ao receber o envelope com teu convite de casamento eu, finalmente, entendi. Eu te amei, mas isso eu também não te contei.

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