Playlist: AS MAIS OUVIDAS DA SEMANA #2



Olá miudezas! ♥

Voltamos com mais uma quinta falando de música por aqui. Espero que tenham gostado da última playlist e se você perdeu, é só clicar aqui e dar uma olhadinha nas músicas indicadas.

Essa semana ficou difícil mesclar nacional com internacional. Encontrei vários (muitos mesmo) covers gringos lindos e foi um desafio imenso não passar de cinco indicações, mas espero que gostem. Apertem o play e viagem comigo...

 TAYLOR SWIFT - DROPS OF JUPITER (cover)
Pra quem não sabe, antes de juntar as escovas de dente eu penei um pouquinho e fiquei um tempo longe da pessoa que hoje divide muito mais que um teto comigo. Isso foi um saco, mas passou. Durante esse período, como toda romântica incurável, eu buscava músicas que se encaixassem no que eu estava passando. Sempre tive essa mania infeliz de estar na bad e procurar um jeito de ficar mais ainda. — Descobri aqui o motivo desse masoquismo infinito e que é mais comum do que parece. — Estava ouvindo as músicas do Train, quando fui pegar o link pra última playlist e aí eu lembrei da música "Drops of Jupiter" (veja a tradução, cliquem aqui). Parece não fazer o menor sentido, mas para mim, falar de frango frito e amigos escudeiros é mara. Foi aí que descobri que a Taylor Swift fez um cover acústico em um de seus shows e, mesmo não sendo nem um pouco fã da moça, me encantei. Se liga só:






CLAUDIA LEITE E JAMMIL - CHUVA NA JANELA & BIZARRE LOVE TRIANGLE (cover)
Direto do túnel do tempo, dos meus 15, 16 anos... Estava eu passeando pelo reino dos favoritos perdidos, quando encontrei a música Bizarre Love Triangle, mas nessa versão aqui. Daí que eu queria saber se alguém tinha feito cover acústico dela.  Gente, sou rata de acústicos. Sou apaixonada por eles. Por mim todas as músicas seriam acústicas. Parei! — E aí... Olha só o que eu encontrei. Meu vício da adolescência. Eu sei, eu sei, Dona Cláudia caiu no meu conceito nos últimos anos, mas nessa época aí eu gostada de uma coisa ou outra e não tenho vergonha de admitir. Ela como pessoa eu não suporto, me julguem, mas eu gosto de algumas músicas na voz dela e essa é uma delas. Pra completar, tem esse mashup com "Chuva na Janela" que tem um refrãozinho todo amor. Se liguem:





 MEGAN DAVIES - CHAINS / DRAG ME DOWN (mashup cover)
Pra facilitar, o termo "mashup" é usado quando você mistura duas músicas que podem ser ou não do mesmo artista e utiliza praticamente a mesma melodia e mistura as letras. De todos os canais / cantores que fazem isso, as irmãs Davies são as minhas prediletas. descobri as duas há uns dois anos (se não me falha a memória), com esse cover de Lorde - Royals, feito pela Megan com a Emily Hackett. A Megan Davies, dona do canal, é a que está tocando o violão e a outra loira linda é a Jaclyn Davies , irmã dela. Estava assistindo The Voice e alguém cantou "Chains", do Nick Jonas. Corri pro youtube pra ouvir de novo e me lembrei de onde conhecia. Sinto dizer, mas são melhores que os originais.






 PAULA MATTOS - EU JÁ TE AMAVA (part. THAEME E THIAGO)
Eu já avisei que aqui tem de tudo, né? Pois é! Essa aqui nem estava na lista até ontem, quando eu acordei cantando e deu aquela coceirinha pra assistir de novo e cantar junto. Paula surgiu do nada na minha vida, com a clássica "Que Sorte a Nossa" que eu amei o suficiente pra mostrar minha cara cantando 15 segundos (viva o instagram) dela aqui. Desde então acompanha cada novo lançamento dela e fiquei morta de amor quando ela recebeu a Thaeme-Linda-Diva-Maravilhosa e o Thiago na gravação do DVD. Desconfio que, assim como na música, eu já amava a Paulinha (como se eu fosse super íntima), só não sabia. 




 DANIELA ANDRADE - BILLIE JEAN (cover)
Quem nunca gostou de uma música do rei do pop que atire a primeira pedra. Confesso, nunca fui fã do Michael Jackson, mas "Billie Jean" é uma das poucas músicas que eu sempre gostei de ouvir repetidamente. Dia desses uma amiga me chamou inbox pra falar que descobriu a Daniela Andrade que, apesar do nome dar essa impressão, não é brasileira. Ela é da cidade de Edmonton, Canadá. Masss, vamos ao que interessa. Essa moça fez o melhor cover do Michael que eu já vi/ouvi. Eu repeti o mesmo vídeo por dias, durmo cantando com a voz dela na cabeça, postei umas duas vezes no facebook e o youtube jajá vai pifar. Ela tem muitos outros, mas essa aqui é viciante. Juntem-se a mim.

E lanço o desafio, se encontrarem um cover melhor que esse (no mesmo estilo voz/violão) me mandem o link nos comentários.




Bom pessoal, por hoje é só!

Gostou da ideia? Então comenta aqui embaixo o que achou e, se quiser, manda a sua lista das 5 mais ouvidas da semana.

SOBRE PROMESSAS E (DES)ENCONTROS.

(créditos da foto na imagem)
Aperta o play, entra no clima e boa leitura.
Samba Em Prelúdio - Vinícius de Moraes, Maria Creuza e Toquinho

Ainda lembro do dia em que me deu as costas pela primeira vez e saiu andando, como quem não tem a menor intenção de voltar, com passos lentos, olhar cabisbaixo, mochila nas costas e capuz na cabeça. Estava mesmo indo embora, sem olhar pra trás, deixando apenas a fumaça do cigarro que acabara de acender.

Não me desesperei. Não gritei. Sequer pronunciei alguma palavra. Estava bem calma, para falar a verdade. Mas uma certa brisa bagunçou muito mais do que meus cabelos negros. Bagunçou minhas ideias e, de repente, as promessas que fiz para mim mesma perderam o sentido. Sem saber ao certo o que fazia, corri. Parei na sua frente e, ignorando o pedido de "me deixa ir", me atirei em seus braços e apertei o máximo que pude. 


— O que você fazendo?
— Me dá cinco minutos, por favor. 
— Pra quê?
— Por favor.
— Não vou usar o clichê "não quero perder você", não se preocupe. Eu não te tenho, não é uma questão de posse. O que tenho é uma parte do "nós" e isso eu não quero perder nunca. Então fica, hoje, amanhã, depois de amanhã. Fica, pelo tempo que valer a pena. Fica pra ver que depois de nós, só eu ou você não faz mais sentido. Sabe, prometi pra mim mesma que nunca mais pediria para alguém ficar, nunca mais impediria alguém de ir embora. Prometi deixar as portas abertas pelo lado de dentro, mas não dá. Eu não posso te ver indo embora e ficar quieta. Eu não posso não lutar ao te ver fugindo de mim, de nós.
— Mas é isso que eu faço, é isso que eu sei fazer. Eu fujo. Eu sempre fujo. De todo mundo. Até de mim. Agora me deixa...
— Eu sei, mas eu não sou todo mundo. — interrompi, afobada — Então não foge de mim, do que tivemos, do que temos e de tudo que você, em algum lugar dessa cabeça teimosa, sabe que ainda podemos ter.
— Não dá. Eu vou embora.
— Embora pra onde?
— Pra qualquer lugar.
— Então vamos. — respondi, muito antes de pensar no que estava dizendo.
— Vamos? Vamos quem? Pra onde? Você louca?
— Não, amor. Eu não estou louca. E aí, vamos?
— Mas pra onde você quer ir?
— Pra qualquer lugar, desde que eu possa ir contigo.
— Mas eu não sei pra onde eu vou.
— Tudo bem, segura a minha mão e vamos. Não importa onde desde que você segure a minha mão, lembra. Vem?

Sorriu, deixando escapar a confusão que tomava conta de seus pensamentos por baixo dos cachos contidos. Tragou mais uma vez, segurou o cigarro entre os lábios enquanto tirava a mochila das costas e, como quem entrega o jogo, apagou o cigarro, levantou bandeira branca e... ficou.



— Você é doida, menina. — me disse, com tom risonho.
— Eu seria doida se te deixasse ir sem tentar mostrar que vale a pena ficar. Abri mãos das minhas promessas pessoais, mas sei que vale a pena.
— Ah, é? E como você sabe disso?
— Quando é amor a gente simplesmente sabe, meu bem.

Nos abraçamos como nunca antes. Era um misto de despedida com reencontro e não sabíamos explicar aquela corrente de energia que nos envolvia. Só sei que o tempo parou e nem o vento ousou soprar, não existiam mais carros buzinando, cachorros latindo ou pessoas falando. Tudo em volta silenciou num abraço.

— Vamos pra casa?
— Vamos. Mas, antes, me promete uma coisa?

— O quê?
— Nunca mais fugir de mim. De nós e...

Fui interrompida por uma mão em minha nuca e um beijo demorado. De novo o tempo parou. De novo as vozes silenciaram. 

Ainda me lembro daquele dia em que demos as mãos e saímos andando, como quem não tem a menor intenção de parar, com passos lentos e pacientes, com olhares esperançosos, mochilas nas costas e a lua na cabeça. Quebrei uma promessa naquele dia, mas ganhei um amor para a vida. 

Escolhemos caminhar lado a lado, mesmo com a vida cheia de desvios por aí. 



ME DÁ UM CIGARRO?

   



— Oi, quanto tempo. Não imaginava te encontrar por aqui. Você está diferente.
— É, você também. Emagreceu, né? Também não esperava te encontrar aqui, ainda mais de madrugada. E aí, como vai o casório? 
— Ótimo. E assinamos o divórcio há uma semana. 
— Meus pêsames. Ouvi dizer que estava feliz. 
— Nunca daria certo mesmo! Ela era um pouco demais. 
— Você e essa mania infinita de se diminuir. Nunca muda? 
— Muda sim. Ela era fresca demais, encanada demais, insegura demais, pirada demais. Não deu. Sabe, tudo é lindo no primeiro momento e a gente até curte esse lance de “me arrumei pra você” e todos os "mi mi mis". Mas, vamos combinar, não há nada mais sexy do que uma mulher despenteada, sem máscaras — em todos os sentidos que puder imaginar — e sem frescuras. Você bem sabe, odeio mulher fresca. 
— Deixa eu adivinhar? Ela era do tipo que levantava antes de você, tomava banho, escovava os dentes, passava enxaguante bucal e depois deitava porque “beijo com hálito matinal é uó”? (risos) Ou daquele tipo que nunca, em hipótese alguma te agarraria depois que chegou da academia, suada e te faria… Bom, você sabe. 
— É, mais ou menos por aí. (risos) Como eu disse, nunca daria certo. E essa da academia, lembra daquela vez que… Deixa pra lá. Mas, e você? Me disseram que se mudou. 
— É. Mudei mais do que o endereço, mas deixa essa parte pra lá. Conheci alguém tempos atrás. 
— Sério? E aí, como estão? 
— Não estamos mais. Essa coisa de possessividade, de “aonde você vai com essa saia curta?”, “não admito que você saia com um decote desse tamanho” me tira do sério. Se, no começo, rolar um draminha, uma chantagem daqui, um charme dali, tudo bem. Mas não nasci pra andar com coleira. Ninguém me adestra, entende? É, você entende.
— Que idiota. Mal sabe que a graça é justamente ver aquele povo babando no teu decote, no teu batom vermelho e na valsa ensaiada das tuas coxas. E, mesmo que um sorriso ou outro te encantassem, no fim da noite era pra mim que você se desmontava. Os outros te viam, mas só eu te conhecia e… Desculpa… Eu...
— Tudo bem, não precisa pedir desculpas.

(...)

— Sabe, fico me perguntando se… onde foi que... 
— Não. Não faça isso. Por favor. Não olhe pra trás assim. 
— Mas… 
— “Mas” nada. Tira a interrogação daí e pronto. Ponto. 
Sempre curta, grossa e me interrompendo. 
(risos) 
Sempre com drama e sem freios. 
(risos)

(...)

Me dá um cigarro? 
— Desde quando você fuma? 
Desde que a última coisa que eu tinha nas mãos escapou e não voltou. Precisava de algo pra colocar no lugar. 

— Mas isso mata. Você deveria parar. 
— Saudade também, mas olha só, continuo vivinha da silva! Vai me dar o cigarro ou não? 
— Parei de fumar, agora só morro de saudade. 
— De beber também? 
— Não é pra tanto. 

(...)

— Então… 
— Meu táxi chegou. 
— Ah, tudo bem. Vai lá. 
— Te vejo aqui amanhã a noite? 
Talvez. A gente se vê. 
— É. A gente se vê. 


Pegou a mochila, entrou no carro e saiu. Olhou para trás. A moça de lábios vermelhos, salto 15, decote V e mini-saia lhe observava ir embora. Mais uma vez. 

— Garçom?
— O que deseja, senhorita?
— Me dá um cigarro?

Este é um post coletivo do grupo Escritores na Era do Compartilhamento. 

Tema: "Me dá um Cigarro". Leia também:
  PÂMELA MARQUES  |  TATIANE ARGENTA  |  MARIO FEITOSA  |  LECA LICHACOSVKI  |  JOANY TALON  |  MARIAH ALCÂNTARA  |  JEESSY BATISTA

QUINTA MUSICAL #5 - Luis Kiari

Semana passada eu estava passeando pelo youtube quando tive a brilhante ideia de fazer playlists da semana quando não temos quinta musical, já que agora ela só acontece de quinze em quinze dias. Foi lindo e você pode conferir aqui. Acontece que isso inspirou outras pessoas e assim também surgiu o projeto Chá das Cinco, da Fernanda Probst. Assim como eu, ela indicou os 5 sons mais bacanas que ouviu durante a semana e, adivinhem, quem estava lá? Luis-Querido-Maravilhoso-Kiari cantando "Bailarina", uma das minhas músicas prediletas. 

Conheci seu som por volta de 2011, acho. Estava passeando por canais buscando músicas novas, quando esbarrei nesse video aqui. O projeto se chamava "Os Varandistas", criado por Caio Sóh quando ele decidiu que abriria a sua varanda, no Recreio dos Bandeirantes/RJ, para encontros de música, poesia e afins, convidando artistas do Brasil inteiro. Você vai encontrar Gadú, Luiza-Linda-Diva-Possi, Toni Ferreira, Gustavo Peixoto, entre muitos outros na tal varanda. Sim, parece que você está lá com todos eles e morrendo de amor. Por causa desse vídeo conheci a música "Calejar a Dois", primeira composição do Kiari que eu ouvi. A letra é impagável.

"Meu amor, estamos sozinhos, só nos resta o depois / Meu amor, estamos sozinhos, desperdiçando arrepios. / Ainda não aprendemos a amar. / Ainda não aprendemos nos dar. / Ainda não aprendemos a calejar à dois." Calejar a Dois - Luis Kiari


Fui correndo saber mais sobre ele, mas achei pouquíssimas coisas. Baixei o que pude e repeti, inúmeras vezes essa música e todas as outras que encontrei do projeto, dele, da Gadú (que, até então, não era tão conhecida assim).  Não há como compará-lo, Kiari é único. Pega um violão, abre a boca e a mágica acontece. O tempo passou e deixei de lado minha playlist dos varandistas e todos participavam pra buscar novidades. Anos depois conheci a Tais Alvarenga, outro tesouro da música popular brasileira, e procurando vídeos dela eu acabei esbarrando no Luis pela terceira vez. Eles fizeram um dueto, para o canal GASO LINA, que me rendeu boas lágrimas. Dá uma olhada:



Mas e aí? Fiquei me perguntando. Quem é Luis Kiari? Como faço pra saber mais dele? Já tem CD desse cara? Onde posso baixar? E nada de achar informações, então larguei mão. Quando vi o video no post da Fernanda, fui correndo pro canal dele e, deliciosa surpresa, lá estava ele falando sobre o lançamento de seu primeiro disco.

"O CD, que vai muito além de um álbum, é a consolidação de um projeto de vida que contou com a participação não só de artistas de renome como Ivan Lins, mas principalmente com os maiores entusiastas e amigos do músico, que se transformaram em coprodutores do trabalho por meio do financiamento coletivo do disco."
Fonte: site oficial do cantor


Cara, é tanta coisa bacana sobre esse álbum, sobre os músicos envolvidos, sobre a mistura de ritmos e a suavidade com a qual a voz dele invade meus pensamentos, que nem sei como colocar tudo em palavras sem escrever umas três páginas. Recomendo muito. Pra caramba! É gratuito e você pode ouvir online no site dele (links no final do post). Principalmente, escutem a entrevista que deu explicando o motivo do nome do álbum e como o número três está sempre presente na sua vida. Fiquei encantada. (sim, sou muito ligada em coincidências)

De tudo que (finalmente) li sobre ele, como quem lê um livro que há muito queria, fiquei emocionada com sua história. Paraibano de Campina Grande, ele cresceu dividindo o tempo entre ajudar nos trabalhos rurais e aprender com seus irmãos cegos que estudavam música na capital. Sim, eles eram cegos e estudavam música em outra cidade. Mais uma vez, me emociono ao escrever essas palavras, a música move mundos. A arte encanta e torna flor quem poderia ser só espinho. E seus irmãos floresceram e fizeram dele também uma flor.

Luis Kiari floresce, despetala e renasce. Numa de suas fases, o vento lhe carregou até os meus ouvidos e eu me apaixonei. Espero que também gostem. Deixo aqui, minha música predileta do CD, com participação de Ivan Lins, que embalou a minha infância.

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DO QUE NÃO VOLTA MAIS


Segurei meu rosto entre as mãos, escondendo-me entre os dedos. Precisava encobrir os receios que pulsavam em minha íris. Sempre foi maldito esse meu olhar, porque meus olhos não sabem mentir. Ele estava parado em minha frente, segurando a chave do carro como se fosse uma válvula de escape. Bem verdade, era.

 — Sinto muito. — ele disse. — Mas preciso ir. Não daquele jeito que sempre fui, mas definitivo. Eu vou. E te amo, talvez. Mas não volto mais. Sinto muito.

As mesmas mãos que tentaram esconder meus receios não foram suficientes para conter minhas lágrimas sempre tardias, sempre atrasadas, quando vi seu carro virando a esquina. A mesma esquina pela qual o vi voltar tantas outras vezes querendo tentar mais uma vez. A mesma esquina pela qual passei correndo debaixo de chuva ou sol, procurando aqueles braços que sempre voltavam pra me proteger quando o mundo insistia em me fazer menina.

Não daquele jeito que sempre foi, não para voltar depois de cinco minutos me dizendo que se arrependera, não pra ligar no dia seguinte dizendo que me sequestraria para uma noite incrível, não para aparecer de surpresa no portão me perguntando o que vamos pedir pro jantar. Desta vez ele se foi, sem pressa nenhuma de voltar, sem pedido de desculpas, sem perdão.

 Se foi, da mesma forma que eu fiquei.
Sentindo muito.
Sentindo tudo.
Sentindo só.


*Postado originalmente em 29 de maio de 2015, aqui.*

Conheça mais da Fernanda Probst: 
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HOJE O MEU TELEFONE VAI FICAR EM CASA



Hoje o meu telefone vai ficar em casa.

Eu finalmente deixei de lado as minhas dores e decidi viver, só pra variar. Deixei fechada aquela caixa abarrotada de lembranças tuas-nossas. Deixei de sentir teu cheiro que, infelizmente, tomou conta do meu travesseiro e do teu pijama, ainda jogado em cima do sofá. Troquei o lençol amarrotado e aquela pontinha do colchão que ficou descoberta depois de você aparecer. Me liberto do teu vício de sempre bagunçar muito mais do que a cama quando me visita. Não vou mentir! A sua falta ainda incomoda, mesmo depois de tanto tempo. Também não vou dizer que nunca mais abri aquela caixa ou vesti o teu pijama. Não vou fingir que não abracei o travesseiro - segundos depois de você ter saído pela porta - tentando acreditar que aquele ponto final tinha sido só um pesadelo, só pra te sentir por perto, mesmo sabendo que você está a muitas mágoas de distância. Um abismo de feridas e decepções nos afasta, eu sei. O ponto final existiu, doeu, feriu, cortou. Mas, olha só, eu juro, eu prometo. Hoje eu não vou chorar. Nem por mim e menos ainda por você.

Hoje eu acordei querendo sorrir pro espelho, moço. Hoje eu não preciso mais fingir. Hoje eu não preciso te amar escondido. Hoje eu não preciso desviar o olhar quando você chega, só por saber que se os nossos olhos se encontram todo mundo vê o que você finge - muito bem - que não existe. Hoje eu não preciso dar desculpa nenhuma para as minhas amigas, que não entendem como eu preferia passar a noite de sexta-feira trancada em casa e ainda aparecer sorrindo na manhã seguinte. Hoje eu não preciso ficar acordada, com o telefone grudado na mão, esperando uma ligação, uma mensagem, um talvez qualquer. Hoje eu não preciso tomar cuidado com o que conto para os nossos amigos, com medo de deixar escapar alguma pista sobre o seu sumiço na noite passada. Hoje eu não tenho que mentir. Hoje eu não tenho aventura da madrugada pra esconder.

Hoje eu te agradeço e me liberto das tuas infinitas regras, das visitas secretas, das juras nunca cumpridas, dos planos desfeitos e dos suspiros proibidos. Hoje eu me liberto de você. Quero mais é que o mundo exploda e esse quase-amor vá junto com ele. Sim, eu disse quase. É que amor, meu bem, é outra coisa. Isso que a gente cultivou por anos pode ter vários nomes. Química, pele, afinidade, resquício de sei-lá-o-quê, saudade, costume ou até comodismo. Mas, definitivamente, não é amor. Não era. Mas deixa isso pra lá, o interfone tocou, a galera está me esperando e tô indo nessa. Amanhã eu penso nisso. Amanhã eu posso até chorar, querer discar o teu número, querer te pedir pra voltar, mas hoje não.

Hoje é sexta-feira e o meu telefone vai ficar em casa.

Playlist: AS MAIS OUVIDAS DA SEMANA #1



Olá miudezas! ♥

Como sabem, todas as quintas de fevereiro eu indiquei um(a) cantor(a) nacional, na nossa QUINTA MUSICAL. Acontece que postar semanalmente uma indicação nova fica um pouquinho puxado pra mim, então decidi manter posts quinzenais. Tenho mais tempo pra pesquisar e fazer um trampo legal pra vocês. (YEY!) Maaaas... Como sinto falta de falar de música todo santo dia e tenho zilhões de indicações — inclusive internacionais — pra fazer pra vocês, vou intercalar os posts com uma playlist das 5 músicas que mais ouvi nos últimos dias.

Já adianto que sou bem eclética e não gosto de mesmice, então vocês vão encontrar uma diversidade enorme de sons por aqui. Sertanejo, Rock, Pop, MPB, Reggae, Gospel, Pagode... Aqui pode tudo. Só não pode ofender nem desrespeitar ninguém. Inclusive, hoje de manhã li uma publicação do Bráulio Bessa (consultor cearense arretado do Encontro com Fátima, escritor, poeta, empreendedor social...) que fala justamente sobre o mi mi das pessoas que julgam alguém pelo gosto musical.  Dá uma olhada.

Nem todo mundo que escuta Wesley Safadão é burro e ignorante.Nem todo mundo que escuta Chico Buarque é inteligente e...




Ou seja, me deixem ouvir Sandy & Junior até meus 70 anos, em paz, obrigada! Agora vamos à lista:


 TRAIN - MARRY ME
 Lá estava eu, linda e bela, passeando pela minha timeline, quando me deparo com um vídeo de casamento (sou viciada em vídeos fofos, românticos, água-com-açúcar. Me julguem. ) em que a noiva finge que vai jogar o buquê e entrega pra sua melhor amiga, a vira de costas e seu boy está lá, parado, com aliança na mão e tudo mais. Eu sei que você vai querer assistir, então clica aqui. Depois que consegui secar os olhos e voltar a enxergar, corri pro tio Google e tentei escrever o que entendi da letra música. BINGO! (isso é tão coisa de quermesse) Sabe a música PERFEITA pra pedir alguém em casamento? Ela existe!





PROJOTA - ELA SÓ QUER PAZ
Ah, gente! Nem tem o que falar dessa. É Projota. É uma delícia. Se liga num pedacinho da letra e tenta não querer apertar o play. Se não se identificar com nenhuma linha, te pago um chocolate. Me chama inbox. (por favor, se identifique com pelo menos uma)


"Hoje ela só quer, notícias boas pra se ler nos jornais
Amores reais, amizades leais
Ela entende de flores, ama os animais
Coisas simples pra ela, são as coisas principais
Sem cantada, ela prefere os originais
Conheceu caras legais, mas nunca sensacionais
Ela não é as suas "nega" rapaz
Pagar bebida é fácil, difícil apresentar pros pais"





 PENTATONIX - SAY SOMETHING
Eu seeeei, a música não é deles. É da Christina Aguilera & A Great Big World. Mas pense num cover divo! E detalhe: eles fazem praticamente tudo com a voz, apenas. Ok, eu sei que tem um cello ali, mas é só. Faz um teste, aperta o play e fecha os olhos. Você jura que tem uma banda ali, mas não tem. E arrepia. E emociona. Eu nem tô desistindo de ninguém, mas quase liguei em casa com pretexto pra brigar, só pra poder mandar essa música.
Ps: Mentira, não tô doida de fazer isso.





♥ ANA - FRAGMENTAR
Tá na foça? Brigou com o boy, com a sua garota, com o/a crush? Pule dois parágrafos e vá para a próxima música. Gente... O que é isso? Pra quê fazer isso com azamigas fãs, Ana? Aí a pessoa tá lá, firme, forte, repetindo na frente do espelho que não está nem aí pro ex idiota, pra ex dissimulada, e você vem com essa letra de ferrar qualquer pose. Dá não, produção!

"Eu quero esquecer você
Eu quero te fragmentar
Em partes que eu possa perder
Que eu nunca mais possa encontrar
Eu quero macular teu lar
Eu vou sacrificar você
Diante desse mesmo altar
Que eu fiz para te receber."





 CHARLIE PUTH & MEGHAN TRAINOR - MARVIN GAYE
Alguém me segura? Acho que já faz um mês que escuto essa música todosantodia. Sério, tô achando que é doença. Eu nunca tinha escutado essa bendita dessa música até assistir o vídeo polêmico da apresentação deles no American Music Award 2015 (mais conhecido como AMAs, é uma das maiores premiações anuais da música norte-americana). Eles deram um puuuta beijaço (que eu duvido que tenha sido de mentira) no fim do show e eu fiquei com vontade de assistir o clipe, pra entender o começo do bafafá todo.  Tá aí.
AVISO: Se estiver na seca, fecha o post agora. Vai que dá tempo. O povo beija mais que adolescente na puberdade.




Bom pessoal, por hoje é só!

Gostou da ideia? Então comenta aqui embaixo o que achou e, se quiser, manda a sua lista das 5 mais ouvidas da semana.

SER GENTIL É DE GRAÇA, ABUSE!




Hoje, pela manhã, assisti um vídeo sobre gentileza. Eu chorei.

Chorei ao observar ações que exemplificam perfeitamente o ditado "gentileza gera gentileza". Chorei por saber que essas mesmas ações precisam ser engrandecidas, precisam de campanha, de incentivo, de conscientização. Chorei ao observar a moça que segurou a porta para que outras pessoas pudessem passar, independente da idade ou condição física.



Fui trabalhar e, enquanto eu subia a escada, notei um senhor tentando, com enorme dificuldade, subir degrau por degrau. Imediatamente um rapaz se prontificou a ajudá-lo. Muitas pessoas — que passaram por ele e nada fizeram  se viraram para observar e, infelizmente, pude ouvir "Acha mesmo que eu, atrasada, vou parar pra isso? Não foi de elevador por que não quis". E eu estava longe demais pra conseguir dar a resposta que esse ser merecia. 



Cheguei ao trabalho e, como o espaço do hall é apertado para a quantidade de elevadores e funcionários que entram no mesmo horário, precisei pedir licença para passar. Recebi, como troca, olhares nervosos e impacientes. Senti como se atrapalhasse alguém. Mas, peraí, se eu estou passando e tem alguém no caminho, quem está "atrapalhando" quem? Agradeci, como sempre, e segui meu caminho. 

Na volta para casa, enquanto fumava um cigarro na porta da estação, vi uma moça sendo abordada por um morador de rua. Para a minha surpresa, ela não se assustou ou tentou desviar. Ela parou e tentou ouvir o que ele dizia.

— Você pode me dar um abraço?
— Oi?
— É, será que você poderia me dar um abraço? Eu queria lembrar como é o gosto de ser querido novamente. 

Em silêncio, ela o abraçou enquanto lágrimas corriam dos seus olhos. Ela não o conhecia, mas naquele momento, no meio daquele abraço, ele era parte dela. Ele sorriu. Choraram juntos e, acredito eu, aquele foi o "Obrigado" mais sincero que ela já recebeu. 

Enquanto escrevo essas palavras o meu interfone toca. Meu pastel chegou. Atendo e abro o portão para o entregador. Abro a porta do apartamento e aguardo. "Olha moça, se não fosse por mim você teria que descer, mas eu sou legal então eu subi. Tô lotado de entregas pra fazer, mas ninguém merece ter que descer, sair na rua essa hora, nesse frio, né?". Eu sorri e agradeci. Não está tão tarde assim. Eu moro no primeiro andar, não iria doer se eu tivesse que descer um lance de escadas. Mas ele subiu, por vontade própria, pra agradar. E ainda me perguntam por que é que eu não peço num lugar diferente. É que esse tipo de coisa a gente não encontra em qualquer esquina, infelizmente.

Eu poderia escrever alguns parágrafos refletindo sobre a ausência de gestos simples, delicados, mas gentis. Eu poderia discorrer sobre a futilidade que tomou conta das pessoas, mas não o farei. Cada um sabe o peso que sai dos ombros quando ajudamos o próximo. Caminhamos entre nuvens. O dia fica ensolarado e até o "trabalho" volta a ser "emprego". 

Hoje, pela manhã, assisti um vídeo sobre gentileza. Eu chorei, mas não deveria.